Simonia

Livres dos Fardos Religiosos

 

Quando Felipe, um discípulo de Jesus, pregava em Samaria, ele encontrou um homem chamado Simão por lá. Esse homem tinha o costume de iludir muitas pessoas com as suas artes mágicas. Após ouvir as pregações de Felipe e de ver os milagres que ele fazia, muitos creram no evangelho de Jesus e foram batizados, inclusive o próprio Simão, que era mágico.

 

 

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Descrição: Simão tentando comprar o dom de Deus por meio dos apóstolos. Data: 1984. Autor: Jim Padgett. Fonte.  Licença CC BY-SA.

Quando os outros apóstolos que estavam em Jerusalém souberam das conversões em Samaria, mandaram para lá Pedro e João. Esses, ao chegarem àquela cidade, oraram para que os convertidos de lá recebessem o Espírito Santo. Quando Simão viu que, quando os apóstolos punham as mãos sobre as pessoas, elas recebiam o Espírito Santo, ofereceu dinheiro a Pedro e a João dizendo: “Quero que vocês me dêem também esse poder. Assim, quando eu puser as mãos sobre alguém, essa pessoa receberá o Espírito Santo.” Mas eles não aceitaram, e Pedro o repreendeu dizendo para ele se arrepender, pois ele estava pensando que podia comprar com dinheiro o dom de Deus. (Atos 8.5-24. Trecho entre parêntesis da NTLH.) [1]

 

Simonia é uma palavra derivada do nome do mago Simão, que quis comprar o dom de Deus com dinheiro. Por causa do fato ocorrido entre Simão e os apóstolos, qualquer comércio de coisas sagradas ou espirituais é chamado de simonia. [2]

 

Como vimos, os apóstolos não se corromperam. Eles não receberem o dinheiro de Simão e ainda o censuraram com bastante rigor. Mas na história da igreja, nem todos os líderes cristãos agiram com a honestidade dos apóstolos. Muitos se corromperam e comercializaram muitas coisas sagradas como: sacramentos, dignidades, benefícios eclesiásticos, indulgências, relíquias, etc.

 

Ao longo da Idade Média, a opulência das igrejas e a ganância de muitos acabaram transformando o cristianismo numa grande feira mundial, e muitas coisas se transformaram em produtos e serviços sagrados comercializáveis. A igreja deixou de ser uma mensageira do evangelho puro de Jesus para se transformar, muitas vezes, em empreendimentos comerciais. Muitos líderes mergulharam na corrupção financeira religiosa. Por todos os lados, ao longo da história, diversos tipos de explorações foram inventadas, como veremos noutras mensagens.

 

Felizmente nem todos entraram por esse caminho.

 

·       Na virada do primeiro milênio, o papa Silvestre II combateu a simonia.

·       No século XI, na Itália, o religioso Pedro Damião e os papas Alexandre II e Gregório VII também fizeram o mesmo.

·       No início do século XVI, o papa Júlio II também foi contra o tráfico de coisas sagradas. O Teólogo e reformador da igreja Martinho Lutero escreveu as suas 95 Teses, onde o comércio de indulgências foi duramente atacado. [3], [4], [5], [6], [7], [8], [9]

 

 

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Descrição: Simonia gospel. Data: Agosto/2012. Autor: Maralvestos. Licença CC BY-SA.

 

Mas mesmo assim, o comércio de coisas sagradas não parou. Tanto na igreja romana e nas igrejas protestantes e evangélicas, idealizadas depois de Lutero, muitos acabaram entrando pelo caminho da simonia. Com astúcia, indiretamente e até mesmo diretamente, muitos estão transformando a igreja de Jesus num conjunto de religiosos simoníacos.

 

“Hoje o mercado evangélico não se mostra muito diferente disso, pois continua vendendo (embora use o termo: traga uma oferta e leve um...) óleo ungido, sal da purificação, manto sagrado, chaves da vitória, água do rio Jordão, lencinhos e até palmilha ungida para os pés dos que anunciam as boas novas. Este mercado é tão promissor que já existem fábricas especializadas em artefatos para campanhas.” (Luciano Silva, “A Igreja de Casa em Casa”.) [10]

 

Simoníacos da Idade Média prometiam o perdão dos pecados para quem comprava um documento de indulgência. [11], [12] Hoje os pastores estão prometendo prosperidades sem medida para quem dá ofertas volumosas. Estão vendendo promessas para os avarentos e acedendo ainda mais a avareza no seio da igreja. No passado, a igreja vendia supostas relíquias da Terra Santa. [13], [14] Hoje pastores vendem, implicitamente e até explicitamente, água, sal, terra, óleo... da mesma terra sagrada de Israel.

 

Muitos são dignos de seu salário. Ninguém pode viver sem receber alguma compensação pelo seu trabalho. Mas aqueles que querem sobreviver do evangelho precisam fazer isso com dignidade. Têm o direito de receber ofertas voluntárias daqueles que amam a obra de Deus. Podem até vender algum material que não conseguem distribuir de graça. Mas não podem vender nada a preços absurdos, principalmente usando o espaço destinado à pregação do evangelho. Por isso, estamos propondo a volta da igreja para o modelo primitivo, onde não haverá necessidades de rios de dinheiro. Dessa forma, não precisaremos desses artifícios com o intuito de conseguir recursos financeiros para bancar uma obra cara. A cristandade precisa sair dos caminhos dessa corrupção.

 

Autor: Maralvestos Tovesmar. Este texto (não o site inteiro) está disponível nos termos da licença CC BY-NC-ND. Pode ser copiado e distribuído, informando o autor e o link seguinte, mas não pode ser modificado e nem comercializado. Data: 2013. Veja outras mensagens em http://livresdosfardosreligiosos.blogspot.com.br



[3] Encyclopaedia Britannica do Brasil Publicações Ltda