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Evangelização

Livres dos Fardos Religiosos

 

Era noite na região da cidade de Belém. Politicamente, Roma dominava o mundo. E, religiosamente, o judaísmo dominava as pessoas com suas leis e rituais difíceis. Alguns pastores tomavam conta de seus animais. Além da dominação romana, da fúria dos religiosos judeus, ainda tinham que enfrentar as feras famintas em busca do rebanho.

 

 

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Descrição: Anúncio do nascimento de Jesus. Data: 1984. Autor: Jim Padgett. Fonte. Licença CC BY-SA.

 

Eis que uma luz resplandeceu sobre eles. O medo tomou conta deles. Mas uma voz disse causando pasmo e alívio: “’Não tenham medo! Estou aqui a fim de trazer uma boa notícia para vocês, e ela será motivo de grande alegria também para todo o povo! Hoje mesmo, na cidade de Davi, nasceu o Salvador de vocês — o Messias, o Senhor! Esta será a prova: vocês encontrarão uma criancinha enrolada em panos e deitada numa manjedoura’. No mesmo instante apareceu junto com o anjo uma multidão de outros anjos, como se fosse um exército celestial. Eles cantavam hinos de louvor a Deus, dizendo: ‘Glória a Deus nas maiores alturas do céu! E paz na terra para as pessoas a quem ele quer bem!’ Eles foram depressa, e encontraram Maria e José, e viram o menino deitado na manjedoura.” (Lucas 2.8-20, NTLH.) [1]

 

Antes de saber o que é evangelização, precisamos saber o que é evangelho. Essa palavra vem do termo grego euangélion e significa boa nova, boa notícia, boa mensagem. [2], [3], [4] Antigamente, quando um mensageiro trazia uma notícia boa, então, para os gregos, ele estava trazendo um evangelho. Podemos dizer que os pastores de Belém receberam um evangelho ou uma boa notícia.

 

Depois de milênios, mergulhados numa religiosidade opressora, cheia de rituais difíceis, deuses mitológicos de todos os tipos, crendices e mais crendices, atos bizarros, sacerdotes estranhos, templos, dominação religiosa e tantas outras coisas, finalmente surgiu uma novidade, uma nova mensagem. Aquela criança simples, deitada em uma manjedoura, era a pessoa destinada a mostrar um novo caminho para toda a humanidade. Ela se transformou no homem, que mostrou como ser verdadeiramente livre, apesar de tudo.

 

Quando falamos do evangelho de Jesus Cristo, estamos falando de uma boa notícia. Evangelizar, genericamente falando, é anunciar uma notícia ou mensagem boa. Evangelizar, no sentido cristão, é pregar a boa notícia de que Cristo nos trouxe a verdadeira libertação do pecado e de toda parafernália religiosa do passado.

 

Aqueles pastores enfrentavam as feras do campo que ameaçavam seus rebanhos na escuridão da noite, ansiosos, esperando o sol nascer. Dentro desse contexto, todos nós somos frágeis como ovelhas e precisamos de um pastor espiritual. Jesus se apresentou como o bom pastor que deu até a sua vida para livrar suas ovelhas das garras da mal. (João 10.11-15.) [5] Se alguém está na escuridão da vida, ele é a luz do mundo e a luz da vida. (João 8.12; 12.46.) [6] Se alguém tem fome espiritual, ele é o pão da vida, o pão vivo que desceu do céu e que dá vida eterna. (João 6.28-59.) [7] Se alguém tem sede espiritual, ele é água da vida. (João 4.10-14.) [8] Se alguém está perdido, na mentira, morrendo em seus pecados, ele é o caminho, a verdade e a vida. (João 14.6.) [9] Ele é a ressurreição e a vida. Quem crer nele, ainda que morra, viverá. (João 11:25) [10]

 

Jesus trouxe uma mensagem totalmente diferente de todas as outras religiões. Ele não instituiu rituais difíceis. Não exigiu cargas religiosas pesadas, não impôs dogmas e nem meros preceitos. Mostrou que muitas coisas não passam de mentiras. Apresentou verdades chocantes que libertam. Vendo pessoas lavando as mãos para não se contaminarem espiritualmente, disse, no sentido espiritual, que não é o que entra pela boca que contamina a pessoa, mas o que sai. (Mateus 15.1-20.) [11] Vendo uma mulher pobre e um rico dando ofertas, disse que ela estava dando mais, pois dava o que não podia por amor, mas o outro tinha muito e dava o que estava sobrando. (Lucas 21.1-4.) [12] Achar que são bons religiosos só porque dão dízimo até das ervas aromáticas sem praticar o amor, a misericórdia, a justiça! Nem pensar! (Mateus 23.23; Lucas 11:42.) [13] Condenar os outros com a pena de morte por causa de algum pecado!? Ora, atire a primeira pedra quem não tiver pecado. (João 8.1-11.) [14] Dente por dente e olho por olho. Não! Perdoar até setenta vezes sete. (Mateus 5.38-40;18.21-22.) [15] Guerra? De jeito nenhum! “Guarde a sua espada!” (Mateus 26:52, NTLH.) [16] Um sacerdote, um levita, homens religiosos passando perto de um homem ferido, precisando de socorro e não fazendo nada! É um absurdo! E aquele samaritano que não valia de nada, valeu. (Lucas 10.30-34.) [17] Templo bonito, ornado de belas pedras... “Não ficará pedra sobre pedra.” (Mateus 24.1-2, RA.) [18] Orar de pé nas sinagogas e nas esquinas das ruas para serem vistos pelos outros. Não, não e não! Orar em silêncio dentro do seu quarto. É pro Pai que apresentamos nossas orações. (Mateus 6.5-6.) [19] Oração não é show de bola.

 

Lendo as mensagens e vendo os atos de Jesus, ficamos maravilhados. Vemos verdades que libertam. Mensagens de vida, paz, amor, bondade, misericórdia, justiça... Foram coisas assim que Jesus andou anunciando. Ele andou por cidades e povoados, anunciando essa boa notícia do Reino de Deus. (Lucas 8.1.) [20] Essa “boa notícia sobre o Reino será anunciada no mundo inteiro como testemunho para toda a humanidade.” (Mateus 24.14, NTLH.) [21] Ele pediu para divulgar seus ensinos em todo o mundo, ensinando as pessoas a obedecerem ao que ele mandou. (Marcos 16.15; Mateus 28.19-20.) [22] Ele não é apenas um pastor para resgatar as ovelhas perdidas da casa de Israel. É para ajuntar muitas outras ovelhas de outros apriscos pelo mundo afora. (João 10.16.) [23] Disse ele para os seus discípulos: “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações...” (Mateus 28:19, RA.) [24] “Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura.” (Marcos 16:15, RA.) [25] “E será pregado este evangelho do reino por todo o mundo, para testemunho a todas as nações. Então, virá o fim.” (Mateus 24:14, RA.) [26] “Mas é necessário que primeiro o evangelho seja pregado a todas as nações.” (Marcos 13:10, RA.) [27]

 

Essa nova religião, livre de rituais, sem hipocrisias, mentiras, crendices e voltada para o bem de todos mexeu com a cabeça de muitos. Foi isso que os apóstolos anunciaram por todos os lados. “o povo que estava assentado em trevas viu uma grande luz; e aos que estavam assentados na região e sombra da morte a luz raiou.” (Mateus 4:16, RC.) [28] Foi esse o evangelho verdadeiro que revolucionou o mundo romano do século I ao século III. Os cristãos iam por toda parte anunciando isso. (Atos 8:4, RC.) [29]

 

 

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Desc.: Viagens do apóstolo Paulo. Data: 26/04/2010. Autor: JWooldridge. Fonte. Licença CC BY-SA.

 

Todavia, gradativamente, desde o século I, alguns já tentavam deturpar a verdadeira boa notícia anunciada por Jesus. E assim foram aparecendo outros evangelhos. Melhor dizendo, falsos evangelhos, pois para ser evangelho tem que ser notícia boa, e o que muitos têm anunciado parece bom, mas não é. E muitos, em vez de evangelizarem com as verdadeiras mensagens de Jesus, judaizaram, paganizaram, catolizaram, protestantizaram, “pentecostizaram”, “neopentecostizaram”, “marketizaram”.

 

Judaização é o ato ou efeito de judaizar os ensinos de Cristo. É a mania que alguns têm de quer misturar o evangelho com elementos do judaísmo. É a mistura do evangelho com a lei de Moisés. Jesus nos libertou da lei de Moisés. (Romanos 7:6, RA.) [30]. (Gálatas 5:18, RA.) [31]. Mas desde o primeiro século, alguns tentam introduzir coisas do Antigo Testamento no meio das boas novas de Cristo. (Atos 15.1-5.) [32] Querem colocar vinho novo em odres velhos. O Mestre já falou que não dá. (Lucas 5.37-38.) [33] Mas ainda insistem. Vemos muitas igrejas institucionalizadas abarrotadas de elementos do judaísmo. Templos, sacerdotes, dízimo, festas judaicas e por ai afora. Por isso, Paulo escreveu aos gálatas: “Estou muito admirado com vocês, pois estão abandonando tão depressa aquele que os chamou por meio da graça de Cristo e estão aceitando outro evangelho. Na verdade não existe outro evangelho, porém eu falo assim porque há algumas pessoas que estão perturbando vocês, querendo mudar o evangelho de Cristo.” (Gálatas 1.6-7, NTLH.) [34] Alguns queriam, e ainda querem, misturar o que Jesus ensinou com práticas do judaísmo. Por isso, não estão evangelizando: estão judaizando.

 

Paganização. Pouco a pouco, principalmente depois do século IV, elementos de outras religiões foram trazidos para o seio da igreja. Todo mundo é livre para seguir a religião que quiser. Mas Jesus nos apresentou um caminho diferente, onde todos podem viver livres de todos os embaraços. Todos têm o direito de conhecer a proposta libertadora de Jesus para livrá-los de suas religiosidades sem sentido. Isso é que temos que anunciar. Mas a igreja deixou de ser a luz e o sal do mundo. Em vez de influenciar o mundo, recebeu influencias dele. Hoje temos falsos evangelhos, onde Jesus é apenas mais um detalhe. Um monte de coisas sem necessidades de outras religiões tem abafado as verdades cristãs. Muitas coisas que se vêem nas igrejas não têm nada a ver com o que Jesus realmente ensinou como: hierarquias, títulos religiosos, honras humanas, outras divindades, misticismos, crendices, leis, dogmas, sacrifícios, etc. (Isso será mostrado noutras mensagens.)

 

Catolização. Após o imperador romano Constantino dar liberdade ao cristianismo, e o imperador Teodósio torná-lo a religião oficial do império, nasceu uma instituição religiosa forte. [35], [36] A cúpula da igreja, com o apoio romano, tornou-se forte o bastante para desenvolver seus elementos judaicos e pagãos, misturados com coisas cristãs. Agora era uma salada de elementos de diversas religiões, que não era anunciada, mas imposta a todos com o uso da força. Já não era mais o evangelho de Jesus, mas um mero sincretismo decretado como religião oficial do vasto Império Romano. Mesmo com o fim desse império, o catolicismo continuou sendo imposto a ferro e fogo, principalmente com o uso da Inquisição. [37]

 

Protestantização. Os reformadores do século XVI quiseram barrar a catolização. Mas não voltaram para a verdadeira evangelização. Reformaram algumas coisas importantes, mas a igreja continuou com muitas práticas judaicas, pagãs e católicas. [38] Começaram a pregar um evangelho diferente. Não exatamente aquela boa nova dos velhos tempos, mas um protesto. Por isso nações protestantes sempre estiveram envolvidas com guerras, imperialismo econômico, segregação social, preconceito, escravização de povos e outras coisas nojentas. Eles fizeram isso porque não estavam com o verdadeiro evangelho de Cristo. Apenas deixaram de catolizar as pessoas.

 

“Pentecostalização.” No século XX, o movimento pentecostal começou a pregar o batismo no Espírito Santo, mas encheu a igreja de legalismos. [39], [40] Cataram coisas na lei de Moisés e ajuntaram outras idéias moralistas e criaram um conjunto de regras que não têm nada a ver com o que Jesus ensinou, embora preguem mensagens cristãs. Mas ficou meio confuso. As pessoas ficaram cheias de santimônia (modos e aparência de santo). [41] Muitos mergulharam num evangelho meio estranho, mais parecido com farisaísmo. [42]

 

“Neopentecostalização.” No mesmo século, na década de 70, novos grupos apareceram com outro evangelho. Embora sendo pentecostais, não eram legalistas. Mas falsificando o evangelho, começaram a pregar sobre riquezas, poder, grandeza e muitas outras coisas que Jesus não ensinou em nem viveu. Buscaram muitas coisas no Velho Testamento e desenvolveram um cristianismo capitalista. Os homens ricos do Velho Testamento viraram estrelas, ofuscando Cristo –– a estrela da manhã. [43]

 

“Marketização.” Pois é, agora com tantas marcas protestantes, pentecostais e neopentecostais na praça, algo precisava ser feito. A concorrência estava acirrada. Então partiram para o marketing. Começaram a inventar tudo que possa atrair fiéis ou clientes. E começaram a vender de tudo. Vale tudo. Maquiavélicos, acham que os fins justificam os meios. Mas não é bem assim com Cristo. Evangelho é evangelho. Mercado é mercado. [44]

 

Todas essas coisas têm atrapalhado a verdadeira evangelização, e muitos ainda não receberam a verdadeira notícia boa daquela noite de Belém. Por causa de tudo isso, quando se fala em evangelizar, as pessoas sentem enojadas, desanimadas, pois terão que propagar um monte de coisas que, no fundo não agrada a nossa natureza espiritual. Pode agradar os donos das organizações religiosas, mas muitas coisas são meio desagradáveis. Mas quem encontra o verdadeiro evangelho de Jesus e põe em prática, do jeito que era no princípio, sem fermento de fariseus, sem judaísmo, paganismo e outros “ismos”, acaba virando um pregador autêntico. Automaticamente ele vira luz, vira tempero do mundo e, como nos tempos primitivos, atrai pessoas. Isso é evangelizar de verdade. O verdadeiro evangelista fala o que Cristo ensinou. Ele mexe com a cabeça das pessoas quando vive o que Cristo viveu.

 

Os primeiros cristãos ganharam muitas pessoas para o reino de Deus. Sem os meios de transporte e comunicação modernos, eles espalharam o evangelho em todo o mundo conhecido, rapidamente e sem muito custo. Era uma novidade de vida que contagiava as pessoas e ia se espalhando como um vírus divino. Por quê? Por que eles anunciavam e viviam uma religião nova, livre das velhas, pesadas e enfadonhas práticas religiosas. Isso sim é que é evangelização. Todavia, nos séculos seguintes, principalmente da Idade Média para frente, evangelizar se tornou algo difícil. Difamaram a pessoa de Cristo. Guerras, perseguições, intolerâncias, preconceito, discriminação, orgulho, exploração, escravização, velhas práticas judaicas e pagãs... Tudo isso fez muitas pessoas ficarem com náusea das igrejas. Foi preciso investir pesado no proselitismo. Rios de dinheiro tiveram que ser canalizados em nome de uma falsa evangelização. Enquanto uma fofoca corre o mundo em poucos minutos, o evangelho fica encalhado, dependendo de altos investimentos. E quanto mais clamam por dinheiro, mas difícil vai ficando.

 

 

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Descrição.: Evangelização. Data: Julho/2012. Autor: Maralvestos. Licença CC BY-SA.

 

Evangelizaremos o mundo todo, rapidamente, com um custo quase zero, o dia em que a igreja aprender a pregar o verdadeiro evangelho com atitudes; quando acabarem os discursos bonitos, e as pessoas começarem a viver o belo estilo de vida cristão de forma escancarada; quando saírem debaixo dos “cestos-templos”, debaixo das camas religiosas e começarem a brilhar de verdade. Isso sim será uma boa nova. O mundo deixará de nos influenciar, e influenciaremos o mundo. E então virá o fim de tudo que não presta. E Deus será realmente glorificado nas alturas e verdadeiramente haverá paz na terra.

 

Por isso, estamos aqui. Não estamos anunciando mais uma placa religiosa ou mais uma igreja institucionalizada. Estamos simplesmente anunciando o evangelho original. Não estamos convidando você para vir para nossa igreja. Não temos nenhuma igreja institucionalizada. Ao aceitar o que Cristo ensinou você se transforma automaticamente em um membro da verdadeira igreja de Cristo, que na tem nome, nem placa, nem endereço. Não terá que fazer cadastro, fornecer número de documento ou coisas parecidas. As coisas velhas vão ficar para traz, e tudo será realmente novo para você. “Quem está unido com Cristo é uma nova pessoa; acabou-se o que era velho, e já chegou o que é novo.” (2 Coríntios 5:17, NTLH.) [45]

 

Autor: Maralvestos Tovesmar. Este texto está disponível nos termos da licença CC BY-NC-ND. Pode ser copiado e distribuído, informando o autor e o link seguinte, mas não pode ser modificado e nem comercializado. Data: 2013. Veja outras mensagens em http://livresdosfardosreligiosos.blogspot.com.br