Liturgia do culto público (parte X)

Continuação do post anterior.

 

Livres dos Fardos Religiosos.

 

Quando falamos sobre ser um cristão, geralmente as pessoas imaginam um culto público em algum lugar chamado de igreja. Não concebem a idéia de vida cristã sem essas coisas. A missa é considerada um sacrifício necessário. Da mesma forma, os cultos das demais igrejas são considerados indispensáveis, mesmo sendo sacrificantes e cansativos. Preconceituosamente, muitos acham que aquela pessoa que não participa de cultos nos templos não é uma cristã verdadeira. Invalidam a obra de Cristo, colocando o ritual do culto público no lugar. As missas e os cultos protestantes e evangélicos têm ocupado o lugar de Jesus. Muitos acham que são cristãos só porque frequentam esses eventos, enquanto os verdadeiros princípios do evangelho de Jesus: amor ao próximo, solidariedade, perdão, justiça, respeito, paz com os outros, etc., tudo vai ficando em segundo plano.

 

 

image

Quando falamos sobre o evangelho, muitos pensam em igrejas-templos com suas liturgias. Mas o verdadeiro evangelho é algo bem diferente. Trata-se de um novo estilo de vida. Não é um conjunto de rituais cansativos.

---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Descrição: Imaginando um culto público. Data: maio/2013. Autor: Maralvestos. Licença CC BY-SA.

 

As pessoas se encontram tão obstinadas com a liturgia do culto que se não houver cânticos, orações, gestos, leituras bíblicas e sermão, mesmo havendo qualquer outra coisa que edifica e glorifica o Senhor, elas acham que não agradaram a Deus. Acreditam que se não participarem de um culto conduzido por um padre ou pastor dentro de um templo, estão fora do evangelho. Por outro lado, muitos “pintam e bordam” e acham que simplesmente pelo fato de participarem de um culto ou missa tradicional, está tudo bem com Deus.

 

 

image

Descrição: Liturgia. Data: maio/2013. Autor: Maralvestos. Licença CC BY-SA.

 

Os cultos medievais, os cultos protestantes, evangélicos, pentecostais e neopentecostais muitas vezes são um mesmo bolo, com alguns poucos ingredientes variados. Alguns colocaram uma essência nova colorida; outros colocaram um novo sabor. Mas na realidade, tudo não passa do mesmo bolo de pessoas dentro dos templos, tentando achar o verdadeiro alimento para as suas almas. Apesar das novidades que vão surgindo, as pessoas continuam encurraladas entre quatro paredes, vivendo na dependência de meros rituais.

 

 

image

Descrição: Bolo. Data: maio/2013. Autor: Maralvestos. Licença CC BY-SA.

 

Muitos são ovelhas que acham que precisam se alimentar sempre nos currais eclesiásticos. Não saem para os pastos verdejantes, pois estão dominadas sob as rédeas de uma instituição religiosa. Com todos esses movimentos litúrgicos, as pessoas não entendem que ser cristão é viver em qualquer lugar, no dia a dia, como Jesus viveu. É um novo estilo de vida. Não é estilo litúrgico. É uma vida nova, onde as pessoas que seguem os mesmos ideais cristãos acabam se unido, ajudando, ensinando, exortando uns aos outros sem nenhum ritual judaico, romano ou pagão. Muitos insistem em defender essas tradições, mas ninguém pode negar que todos estão afadigados. Celebrantes nos púlpitos e nos altares e todos os fiéis nos bancos: todos estão cansados de carregar esse fardo tradicional que Jesus não colocou nas costas de ninguém.

 

 

clip_image008

Descrição: Momento de um culto litúrgico. Data: 29/04/2007. Autor: Nostrifikator. Obra completa.  Licença CC BY-SA.

 

“Não deixando a nossa congregação, como é costume de alguns.” (Hebreus 10. 25) [1] Muitos gostam de usar esse versículo para justificar que não devemos deixar de participar dos cultos públicos nos templos. Parece verdade, mas esse versículo está dizendo isso para os cristãos hebreus que estavam querendo deixar o verdadeiro evangelho para voltar às práticas da lei. Observe como todo o livro faz uma comparação da lei de Moisés com o que Jesus fez por nós. Como mostramos em outras mensagens, os cristãos primitivos congregavam em pequenos grupos, nos lares. Não havia templos, sacrifícios e sacerdotes. Eles se encontravam nas casas, como amigos verdadeiros. Não havia um pastor sobre eles. Havia pastores entre eles, não para dominá-los, mas para ajudá-los. Não havia sermões, púlpito e fileiras de banco como hoje. Havia ensinos em forma de bate-papo informal, do mesmo jeito que vemos Jesus com os seus discípulos. Eles se reuniam, não para realizar cultos solenes como os cultos públicos modernos, mas para ajudar, fortalecer, aconselhar, servir, ensinar, animar e fazer o bem uns aos outros. Eram reuniões de confraternização. Cada pequena igreja era uma verdadeira família, fazendo tudo uns pelos outros. Isso os fortalecia. É esse tipo de congregação que eles não deviam deixar. Não era uma reunião carregada de ritos e formalidades como os cultos de muitas igrejas. Na verdade, aquele tipo de reunião foi abandonado no correr dos séculos. Muitos, não apenas voltaram às práticas judaicas: voltaram também às práticas pagãs primitivas. Hoje, muitas igrejas-templos, carregadas de pessoas, unidas nos bancos, mas desunidas no amor, provam que deixaram de congregar conforme deviam.

 

 

image

Descrição: São Pedro na Casa de Cornélio. Data: século XIX. Autor: Gustave Doré. Fonte e licença DP.

 

A citação do versículo da carta aos hebreus muitas vezes é feita sem o contexto. Veja a frase completa e observe que ele está falando de congregação no moldes da igreja primitiva. “E consideremo-nos uns aos outros, para nos estimularmos à caridade e às boas obras, não deixando a nossa congregação, como é costume de alguns; antes, admoestando-nos uns aos outros; e tanto mais quanto vedes que se vai aproximando aquele Dia.” (Hebreus 10.24-26,RC. Grifo meu.) [2]

 

Os cristãos precisam entender que não podemos ficar sozinhos num canto. Precisamos nos encontrar uns com os outros, não para fazer fofoca ou falar de coisas destrutivas ou que não edificam; não para ficar realizando rituais, pois Jesus já nos libertou dessas coisas. Nossos encontros precisam ser reuniões de edificação mútua, onde haja amor, ajuda, aconselhamento, encorajamento e ensino entre uns aos outros, conforme 1 Coríntios 14.26-33. [3] Isso é igreja. Isso é o tipo de congregação que não devemos abandonar e que muitos já abandonaram há séculos, mesmo estando nos templos. Por que ensinar, corrigir, ajudar, encorajar uns aos outros? Isso não é tarefa do pastor? Por que obedecer uns aos outros? Não é o pastor ou o padre que devemos obedecer? Não! Hoje não temos mais sacerdotes. Jesus é o nosso único e eterno sumo sacerdotes e todos nós somos sacerdotes uns dos outros, juntamente com ele. (Hebreus 4.14-15; 5.5-6; 1 Pedro 2.5, 9; Apocalipse 1.6; 5.10.) [4] A idéia de um pastor ou padre, com característica de sumo sacerdote, realizando liturgias nos templos sobre o povo, surgiu ao longo dos séculos e ainda está enraizada na mente de muitos. Pastores, segundo a igreja primitiva, eram aqueles mais amadurecidos, com boa reputação, reconhecidos para supervisionarem o bom desempenho das igrejas nos lares. [5], [6]. Portanto, pastor ou padre realizando coisas como se fossem sacerdotes e cultos como se fossem sacrifícios, carregados de coisas que não se encontram no evangelho de Jesus, significam o abandono da congregação dos primeiros cristãos.

 

Os cultos públicos modernos, com todos os seus aparatos, carregados de formalidades e tradições, não são iguais às congregações dos cristãos do primeiro século.

Lamentavelmente, podemos então dizer que a igreja abandonou a congregação que o escritor da carta aos Hebreus dissera para não deixar. (Hebreus 10.24-26.) [7]

 

image

 

image

Descrição: Abandono da congregação dos cristãos do primeiro século. Data: maio/2013. Autor: Maralvestos. Licença CC BY-SA.

 

Alguém escreveu lembrando a ceia dos primeiros cristãos: “O lugar, uma casa comum e movimentada; a ocasião, uma refeição habitual; a Ceia, igualmente sociável, singela e calma. Sem edifício eclesiástico, sem sacerdote, sem funcionário contratado, sem altar, sem sacrifício, sem vestimenta, sem ornamentos, sem vitrais, sem velas, sem incenso, sem crucifixos, e sem nenhuma formalidade. A Ceia, observada com singeleza; o lar, honrado com ela; a comida comum e farta, santificada e solenizada.” (George Henry Lang; The Churches of God). [8]. Por que mudaram tudo? Por que não pode ser assim novamente? Nossas reuniões têm que ser encontros de comunhão fraterna para a edificação mútua e não uma liturgia repetitiva que na realidade não tem melhorado o mundo.

 

 

clip_image016

Desc.: Cena de uma reunião da igreja primitiva. Data: 1984. Autor: Jim Padgett. Fonte. Licença CC BY-SA.

 

Agora chega! Queremos voltar ao verdadeiro vinho novo que, apesar de tantos séculos, não envelheceu. Não queremos mais os velhos odres judaicos; não queremos os odres romanos e mitraicos, nem os odres medievais e protestantes, tampouco os odres dos modismos americanos. Queremos voltar ao primeiro amor. Simbolicamente falando, pra que ninguém mais deixa a verdadeira mensagem de Jesus e caia no misticismo novamente, queremos beber o vinho e comer o pão que realmente podem matar nossa fome espiritual. Aliás, Jesus, por causa do seu evangelho, simboliza muito mais do que isso. É como uma luz que nos ilumina; como uma estrada que nos leva ao Pai; como uma água que mata nossa sede; como um bom pastor que nos conduz com segurança. Suas palavras verdadeiras nos trazem a libertação das cargas religiosas. Sua luta para vencer as tradições religiosas e nos trazer essa liberdade foi um sacrifício que valeu a pena. Hoje todos nós somos sacerdotes, não precisamos mais de mediadores humanos, pois aprendemos como encontrar Deus. Somos templos, não precisamos mais de edifícios religiosos, pois descobrimos que Deus está em toda parte, e pode estar dentro de nós através do seu Espírito. Jesus se tornou para nós como um cordeiro e, ao mesmo tempo, como um sumo sacerdote celestial que ofereceu a si mesmo por nós. Isso não é bizarrice religiosa. É uma realidade figurada. Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.

 

 

image

Descrição: Fardo litúrgico. Data: maio/2013. Autor: Maralvestos. Licença CC BY-SA.

 

Liturgia, etimologicamente falando, como foi dito, significa serviço público. Diante de tudo isso, então qual é o verdadeiro serviço público da igreja determinado por Jesus? Foi o que ele disse: “Portanto, vão a todos os povos do mundo e façam com que sejam meus seguidores, batizando esses seguidores em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo e ensinando-os a obedecer a tudo o que tenho ordenado a vocês.” (Mateus 28:19-20a, NTLH.) [9] Em nome dele, a mensagem sobre o arrependimento e o perdão dos pecados deve ser anunciada a todos. (Lucas 24:47.) [10] E Paulo completa: Agora, o mais importante é que vocês vivam de acordo com o evangelho de Cristo.” (Filipenses 1:27, NTLH.) [11] Precisamos viver e anunciar o verdadeiro e original evangelho de Jesus diante de todos. Essa é a verdadeira liturgia da igreja.

 

Chega de ficar ensinando o que Cristo não ensinou e de ficar fazendo o que ele não mandou fazer. Chega dessa liturgia inventada e bordada ao longo dos séculos. Chega de hipocrisia. Não adianta fingir ser luz dentro de quatro paredes, nos momentos litúrgicos e péssimos cristãos no dia a dia. A nossa missão é ser a luz do mundo. A nossa luz deve brilhar para todos. Temos que ser o sal da terra, o tempero do mundo. (Mateus 5.13-16.) [12] Chega dessa trabalheira toda que apenas traz fadiga. De que adianta ficar nos templos dizendo Senhor, Senhor, sem fazer o que realmente ele mandou? (Lucas 6:46.) [13] As pessoas estão cansadas de ver templos, missas, cultos, alfaias, orações repetitivas, formalidades e guerras, assassinatos, corrupções, injustiças, preconceitos, desamor, egoísmo, ganância, avareza, intolerância, desrespeito, depredação do meio ambiente, insolidariedade, desonestidade... Estão cansadas de ver tudo isso praticado por aqueles que estão lá, bem vestidos a caráter, seguindo, à risca, as fórmulas litúrgicas, mas desprezando o que o Mestre realmente mandou.

 

 

image

Descrição: Livre. Data: maio/2013. Autor: Maralvestos. Licença CC BY-SA.

 

Então o que é ser cristão? O que é ser igreja? Para uma pessoa ser cristã e fazer parte da igreja de Cristo, ela precisa viver como Jesus viveu: amar, perdoar, fazer o bem, ser solidário, verdadeiro, justo, não ganancioso, cheio de confiança em Deus, vivendo assim em qualquer lugar, qualquer dia, independente de templos e rituais.

 

Muitas vezes a gente precisa dizer a verdade. Todos têm o direito de expressarem o que pensam e o que lêem nas histórias. Pode ser duro para alguns, mas somente assim podemos conquistar a verdadeira liberdade. Mas ninguém é obrigado a acreditar. Cada um tem o direito de escolher o seu caminho: ser livre de verdade ou não. Por isso, não podemos impor nossos conhecimentos. Não podemos sair por ai destruindo nenhum elemento das outras religiões. Não podemos tratar ninguém com desprezo, com injúrias, deboches, blasfêmias. Ninguém pode ser discriminado por causa de suas convicções religiosas. Não podemos julgar ninguém que está praticando todas essas coisas. Devemos nos limitar a dizer a verdade, embora, às vezes, isso possa ser forte demais para alguns que não tiveram a oportunidade de galgar as páginas da história. Todos podem continuar dentro dos templos, embaraçados em suas liturgias. Isso é um direito de quem quer ser prisioneiro. Mas todos também podem ser livres de tudo isso. É um direito de quem quer ser liberto de verdade. Faça a sua escolha. Você que é líder supremo, apóstolo, bispo, padre, pastor, obreiro ou simplesmente membro de uma organização religiosa histórica ou moderna, não precisa continuar carregando esse fardo. Seja verdadeiramente livre. Você não é obrigado a suportar as agruras das tradições religiosas de sua instituição. O evangelho de Jesus não é propriedade particular de ninguém. Se você realmente crê em Jesus, confia nele, então venha para fora, jogue suas cargas religiosas de lado e caia nos seus braços e seja liberto agora mesmo.

 

 

image

Descrição: Abandono do fardo litúrgico. Data: maio/2013. Autor: Maralvestos. Licença CC BY-SA.

 

Jesus quer que você simplesmente mude de vida. Por isso não estamos lhe oferecendo uma nova religião institucionalizada. Não seremos seus líderes, seus donos. Não temos um endereço, onde você terá que participar de trabalhos litúrgicos. Você não precisa nos enviar dinheiro, seu nome, endereço ou número de documento. Apenas queremos que você caminhe livremente conosco na estrada da vida eterna. Faça essa decisão consigo mesmo e com Deus. Aceite a libertação que Jesus oferece para todos. Conheça, de graça, outras mensagens que anunciamos e veja como é possível se livrar de todos os embaraços religiosos.

 

 

image

Descrição: Livre da liturgia dos templos. Data: maio/2013. Autor: Maralvestos. Licença CC BY-SA.

 

Escolha o seu caminho. Você é livre para continuar acreditando no que os homens das religiões e igrejas inventaram, fazem e ensinam. É livre para decidir viver ou continuar vivendo debaixo de toda essa tradição. Mas também é livre para escolher o caminho da verdadeira liberdade oferecido no evangelho original de Jesus. Escolha o seu destino com sensatez. Não posso dizer que você está perdido porque pratica liturgias não indicadas por Jesus. Tudo é uma questão de fé e decisão pessoal de cada um. Apenas Deus poderá julgá-lo. Mas quero lhe dizer que o evangelho de Jesus não tem nada a ver com essas coisas. Quem quiser pode ser cristão verdadeiro com ou sem qualquer liturgia inventada ao longo dos séculos. Mas o melhor é ser verdadeiramente livre.

 

Autor: Maralvestos Tovesmar. Este texto (não o site inteiro) está disponível nos termos da licença CC BY-NC-ND. Pode ser copiado e distribuído, informando o autor e o link seguinte, mas não pode ser modificado e nem comercializado. Data: 2013. Veja outras mensagens em http://livresdosfardosreligiosos.blogspot.com.br