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Templos (parte IV)

Continuação do post anterior.

 

Livres dos Fardos Religiosos

 

Antigamente, as pessoas imaginavam que os deuses precisavam de uma casa para morarem. Ainda bem que o Deus verdadeiro não precisa de nenhuma construção. Por isso, permitiu que os babilônios acabassem com o templo de Salomão. E é claro que o grande e soberano Senhor não ficou desabrigado. Afinal, ele não depende de templos ou casas feitos por mãos humanas para habitar. (Atos 7:48, 24.) [1]

 

No século VI antes de Cristo, na época do reinado de Zedequias, o exército do rei Nabucodonosor da Babilônia atacou Jerusalém. (II Reis 25. 1-12.) [2] Aquele magnífico templo de madeira nobre, bronze, prata e ouro, depois de cerca de 380 anos ostentando a sua grandeza em Jerusalém, foi saqueado. “Os babilônios quebraram as colunas de bronze e as carretas que estavam no Templo e também o grande tanque de bronze. Então levaram todo o bronze para a Babilônia. Também levaram embora as pás e as vasilhas usadas para carregar as cinzas do altar. Levaram ainda as tesouras de cortar pavios de lamparinas, as vasilhas de queimar incenso e todos os outros objetos de bronze usados no serviço do Templo. Nebuzaradã levou embora tudo o que era feito de ouro ou de prata, incluindo as vasilhas pequenas e os pratos de carregar brasas. Não foi possível calcular o peso dos objetos de bronze que o rei Salomão havia feito para o Templo, isto é, as duas colunas, as carretas e o grande tanque, pois eram pesados demais.” (II Reis 25.13-16, NTLH.) [3]. O sumo sacerdote, o segundo sacerdote e os três guardas da porta do templo também foram levados.  (II Reis 25.18.) [4] “Os soldados queimaram o Templo, derrubaram as muralhas de Jerusalém, queimaram todos os palácios e destruíram todos os objetos de valor. Os moradores de Jerusalém que não foram mortos foram levados como prisioneiros para a Babilônia, onde se tornaram escravos do rei e dos seus descendentes, até que o Reino da Pérsia começou a dominar.” (II Crônicas 36.19-20, NTLH.) [5] Nessa época, os israelitas ficaram sem templo, mais de quarenta anos, sob o jugo do cativeiro, numa terra distante. [6], [7]. Foi um duro golpe depois de aproximadamente quatro séculos diante do esplendor daquela suntuosa construção.

 

 

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Descrição: Cena da destruição do templo de Salomão. Data: 1984. Autor: Jim Padgett. Fonte. Licença CC BY-SA.

 

Sem lugar para realizarem seus rituais, sem a arca, o símbolo da presença de Deus, sem o cheiro do incenso e da carne queimada, sem o brilho do candelabro de ouro, tudo ficou triste. Foi mais ou menos assim, o lamento do povo, distante de Jerusalém e do templo:

 

“Junto aos rios da Babilônia nos assentamos e choramos, lembrando-nos de Sião.

Nos salgueiros, que há no meio dela, penduramos as nossas harpas.

Porquanto aqueles que nos levaram cativos nos pediam uma canção; e os que nos destruíram, que os alegrássemos, dizendo: Cantai-nos um dos cânticos de Sião.

Mas como entoaremos o cântico do SENHOR em terra estranha?

Se eu me esquecer de ti, ó Jerusalém, esqueça-se a minha destra da sua destreza.

Apegue-se-me a língua ao paladar se me não lembrar de ti, se não preferir Jerusalém à minha maior alegria.” (Salmo 137.1-6 ou 136.1-6, dependendo da tradução.) [8], [9].

 

 

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Descrição: Os judeus no cativeiro babilônico. Data: cerca de 1830. Autor: Ferdinand von Olivier (1785–1841) Reprodução: O projeto de Yorck: 10000 Meisterwerke der Malerei DVD-ROM, 2002. ISBN 3936122202. Distribuído por Direct Media Publishing GmbH. Fonte e licença DP.  

 

As sinagogas. Depois desse duro golpe, nessa ocasião, sem templo, longe de sua terra, os israelitas começaram a criar locais para a oração e leitura das Sagradas Escrituras. Esses locais ficaram conhecidos como sinagogas, ou casa de reunião, ou casa de oração. A partir dessa época, essas construções religiosas continuaram sendo edificadas em todos os lugares onde havia judeus. [10], [11] Certamente entenderam que não podiam mais ficar restritos a um único lugar.

 

 

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Descrição: Ruínas de uma antiga sinagoga no norte de Israel. Data da foto: 03 de njaneiro de 2009.  Autor do foto: MASQUERAID. Fonte. Licença CC BY.

 

Nas sinagogas encontramos:

 

·       Uma plataforma elevada no centro ou à frente, chamada de bimah ou tebá, de onde a Torá é lida e orações são presididas; [12]

·       Um baú, conhecido como Aron Kodesh, onde a Torá é guardada; [13]

·       Uma lâmpada sempre acesa; [14]

·       Um menorah, que é um candelabro com sete lâmpadas; [15]

·       Uma arca tampada por uma cortina lembrando a Arca da Aliança;

·       Um púlpito para o rabino;

·       Cadeiras. [16], [17]

  

 

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Descrição: Interior de uma sinagoga em Amsterdã. Data: cerca de 1680  Autor: Emanuel de Witte (1617-1692). Reprodução: O projeto de Yorck: 10000 Meisterwerke der Malerei DVD-ROM, 2002. ISBN 3936122202. Distribuído por Direct Media Publishing GmbH. Fonte e licença DP.

 

As casas de oração (sinagogas) eram dirigidas por um conselho, conhecido como Sinédrio. Nas cidades maiores, esse conselho era formado por vinte e três pessoas e, nas cidades menores, sete pessoas. Os membros desse conselho eram chamados de anciãos. (Mateus 9:18, 23; Lucas 7.3; 8:41.) [18], [19]. Era uma espécie de tribunal com poder para punir as pessoas com excomunhão, flagelação e até pena morte. [20]. Jesus foi julgado e condenado à morte por esse tribunal. (Mateus 26.3-4, 57-68.) [21] Dos membros do conselho, um era o dirigente da casa de oração. (Marcos 5:22, 35, 36, 38; Lucas 8:49; 13:14; Atos 13:15; 18: 8, 17) [22] Dessa forma, as sinagogas eram uma espécie de templo e tribunal religioso.

 

 

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Descrição: Uma antiga sinagoga em Cafarnaum. Data: ? Autor do foto: Talmoryair. Fonte. Licença CC BY.

 

Esses edifícios religiosos supriram a falta de templo, que depois de algumas décadas, foi reconstruído novamente. Todavia, mesmo depois do exílio e com o novo templo erguido, os judeus continuaram edificando suas sinagogas. No Novo Testamento, nos evangelhos e em Atos dos Apóstolos, elas são citadas mais de cinquenta vezes. Em Jerusalém, havia sinagogas de vários grupos: Libertos, alexandrinos, cireneus, cilícios, etc. (Atos 6:9.) [23] No ano 70, havia cerca 394 sinagogas nessa cidade. [24] Os judeus que foram para outras regiões, fora da Palestina, também tinham esses locais de culto. Por exemplo: Damasco (Atos 9:2), Chipre (Atos 13:5), Antioquia (Atos 13:14; 14:1), Macedônia e Grécia (Atos 17:1, 10, 17; 18:4) e Éfeso (Atos 19:8). [25]. Em todos os lugares onde havia judeus, sinagogas pequenas, médias e grandes foram construídas, do Oriente à Europa, algumas parecidas com igrejas católicas, com torres, vitrais, etc. [26], [27].

 

 

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Descrição: Sinagoga de Casale Monferrato em estilo barroco, Itália. Data: 1595. Data da foto: 01 de maio de 2011.  Autor: Eli Shany. Fonte. Licença CC BY-SA.

 

No final do século VI a. C., apesar de terem outros edifícios destinados à religião, os israelitas reconstruíram o velho templo de Jerusalém.

 

Continuaremos no próximo post.

 

Autor: Maralvestos Tovesmar. Este texto (não o site inteiro) está disponível nos termos da licença CC BY-NC-ND. Pode ser copiado e distribuído, informando o autor e o link seguinte, mas não pode ser modificado e nem comercializado. Data: 2013. Veja outras mensagens em http://livresdosfardosreligiosos.blogspot.com.br