Grupos ministeriais livres

Livres dos Fardos Religiosos.

 

O nosso corpo possui muitos membros. Cada membro desempenha uma função. Algumas funções são realizadas por um conjunto de membros. Por exemplo: duas mãos trabalham juntas no mesmo serviço. Os dez dedos das mãos também fazem o mesmo. Dois olhos enxergam juntos. Dois rins, um ao lado do outro, filtram o sangue. Dois ouvidos escutam os mesmos sons.

 

 

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Desc.: Apanhando água com as mãos. Data: 13/05/2012. Autor: Weldis. Fonte. Licença CC BY-SA.  

O apóstolo Paulo, como já vimos noutra mensagem, disse que a igreja é, de forma figurada, o corpo de Jesus Cristo, e cada cristão é um membro desse corpo. (Romanos 12:5; 1 Coríntios 12:27; Colossenses 1:24; Efésios 5:30; 1 Coríntios 12:27.) [1]. Se no nosso corpo, membros se ajuntam numa mesma função, então, como membros do corpo de Cristo, também podemos formar grupos de pessoas que atuam na mesma área. Assim como dois olhos enxergam melhor, várias pessoas num mesmo ministério podem realizar um trabalho bem mais eficiente.

 

Grupo ministerial livre é a denominação que damos para qualquer grupo de cristãos que têm um ministério comum e que se uniram para trabalhar juntos, desempenhando atividades cristãs, independentes de qualquer organização religiosa. Grupos de música, grupos de teatro, equipes de obras de solidariedade, grupo de missões, etc., são alguns exemplos. Cada um desses grupos pode também ser considerado como uma pequena igreja livre. Esses conjuntos de discípulos, juntos, exercendo um ministério comum, pode ser fixo num determinado lugar ou pode ser itinerante.

 

É bom lembrar, no entanto, que nem todo ministério depende da formação de um grupo. No nosso corpo, algumas partes trabalham sozinhas, como o coração, por exemplo.  Da mesma forma, algumas pessoas não precisam formar nenhum grupo para exercerem o dom que possuem. Estamos falando apenas de algumas funções que não é bom ficar nas mãos de uma única pessoa.

 

Quando as pessoas que exercem um mesmo ministério se encontram para trabalharem juntas ou mesmo para apenas trocar idéias, tudo se torna mais fortalecido. Todos ficam mais animados. É mais fácil erguer um peso com duas mãos do que com uma só. Com duas mãos você consegue apanhar mais água. “É melhor haver dois do que um, porque duas pessoas trabalhando juntas podem ganhar muito mais. Se uma delas cai, a outra a ajuda a se levantar. Mas, se alguém está sozinho e cai, fica em má situação porque não tem ninguém que o ajude a se levantar. Se faz frio, dois podem dormir juntos e se esquentar; mas um sozinho, como é que vai se esquentar? Dois homens podem resistir a um ataque que derrotaria um deles se estivesse sozinho. Uma corda de três cordões é difícil de arrebentar.” (Eclesiastes 4.9-12, NTLH.) [2]

 

 

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Desc.: A escolha dos doze apóstolos. Data: 1984. Autor: Jim Padgett. Fonte. Licença CC BY SA.  

O primeiro e o mais claro exemplo de grupo ministerial envolvido com o evangelho puro foram Jesus e os doze apóstolos. (Lucas 6.13-16.) [3]. “Jesus subiu um monte, chamou os que ele quis, e eles foram para perto dele. Então escolheu doze homens para ficarem com ele e serem enviados para anunciar o evangelho. A esses doze ele chamou de apóstolos. Eles receberam autoridade para expulsar demônios. Os doze foram estes: Simão, a quem Jesus deu o nome de Pedro; Tiago e João, filhos de Zebedeu (a estes ele deu o nome de Boanerges, que quer dizer “Filhos do Trovão”); André, Filipe, Bartolomeu, Mateus, Tomé, Tiago, filho de Alfeu; Tadeu, Simão, o nacionalista; e Judas Iscariotes, que traiu Jesus.” (Marcos 3.13-19, NTLH.) [4]. Esse grupo foi preparado para anunciar o evangelho do reino de Deus. Esses apóstolos, com exceção de Judas, e com o acréscimo de Matias e, depois, Paulo, foi a base da igreja, além de Jesus. (Atos 1.15-26; Romanos 1.1.) [5].

 

Mais tarde, cada um foi para um lado. Mas não significa que passaram a trabalhar isoladamente. Lendo os Atos dos Apóstolos, você percebe, por exemplo, que Paulo não trabalhou sozinho na obra de evangelização. Ele teve como companheiros: Judas, chamado Barsabás, Silas, Timóteo, Barnabé (sobrenome de José o levita) da lha de Chipre. (Atos 15:22; 16.1-3; 4.36; 9.27.) [6]. Encontramos, ainda, outro grupo que incluía “Sópatro, filho de Pirro, da cidade de Beréia; Aristarco e Segundo, de Tessalônica; Gaio, de Derbe; Timóteo; e também Tíquico e Trófimo, que eram da província da Ásia.” (Atos 20.4, NTLH.) [7].

 

 

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Descrição: Os Apóstolos Pregando o Evangelho. Data: século XIX. Autor: Gustave Doré. Fonte e licença DP.

Paulo e Barnabé saíram de Antioquia, na Síria, chegaram à ilha do Chipre, nas localidades de Salamina e Pafos. Depois foram para Ásia Menor, alcançando Perge, Antioquia da Pisídia, Icônio, Listra e Derbe. Em seguida, retornaram passando por alguns desses lugares até chegarem novamente ao local de partida. Foi uma viagem de muito tempo, por terra e pelo mar. Os dois foram um pequeno grupo ministerial ou uma pequena igreja ambulante semeando o reino de Deus por todos os lados. (Atos 13 e 14.) [8].

 

Mais adiante, vemos outro grupo ministerial composto por Paulo, Silas e Timóteo. Eles saíram de Jerusalém, por terra, e foram para Antioquia, Tarso, Derbe, Listra, Icônio, Antioquia da Pisídia, Trôade, Filipos, Anfípolis, Beréia, Atenas e Corinto. Depois atravessaram o mar Egeu e chegaram a Éfeso. Em seguida, atravessaram o mar Mediterrâneo e chegaram a Cesaréia e voltaram para Jerusalém. (Atos 15.40, até o final do capítulo 18.) [9].

 

Com o tempo, vários outros grupos foram sendo criados. Mas, infelizmente, nem todos foram desenvolvidos dentro dos princípios do evangelho original. Por exemplo:

 

·       Ordens religiosas. A partir do século IV, várias comunidades cristãs, masculinas ou femininas, surgiram para se dedicarem mais à oração, à penitência, às obras de caridade e à pregação. No Egito, na Palestina, na Anatólia e, principalmente na Itália e na França, além de outros lugares, surgiram as diversas ordens religiosas nos conventos e nos mosteiros. Algumas ordens, com grande rigidez ascética e preceitos pesados, talvez não sejam os grupos que estejam corretamente em harmonia com o evangelho da liberdade. [10], [11], [12]. Admiro o esforço e a dedicação dos membros dessas ordens. Mas olhando para o evangelho original, percebemos que não é exatamente isso que Jesus Cristo desejou para as pessoas. Ninguém precisa viver enclausurado, debaixo de rígidos preceitos para seguir o que ele ensinou.

 

·       Ordens de cavalaria e militares. Surgiram também, na Idade Média, diversas ordens de cavalaria com características militares e ideais religiosos. Esses cavaleiros protegiam os locais sagrados e instituições cristãs. Nessas ordens, havia clérigos para cuidarem dos trabalhos religiosos, irmãos leigos para atuarem como escudeiros e cavaleiros combatentes. Algumas dessas ordens foram: Ordem de Alcântara, Ordem de Avis, Ordem de Cristo, Ordem de Malta, Ordem dos Templários, Ordem Teutônica e muitas outras. [13], [14], [15]. Mas o reino de Deus não é um reino material para ser defendido por um grupo de homens armados. Naturalmente não se inspiraram em Jesus Cristo, mas nos guerreiros hebreus.

 

·       Flagelantes. Por volta do século XIII, surgiram grupos de flagelantes na Europa. Essas pessoas tinham um ideal estranho. Saiam pelas ruas em procissão, durante trinta e três dias seguidos e se autoflagelavam com cordas ou cintos de extremidades cortantes. Vestiam túnicas negras e andavam descalços. Oravam e viviam da caridade. Não foram apoiados pela Igreja como as ordens religiosas dos conventos e dos mosteiros e as ordens militares. [16], [17]. É evidente que Cristo jamais ensinou a criar grupos como esse. Grupos desse tipo não mostram o caminho da liberdade, mas da opressão religiosa.

 

Evite formar grupos religiosos que não estejam em harmonia com o verdadeiro evangelho. Jesus não nos chamou para defender nenhum reino material. Não nos mandou ficar debaixo de nenhuma comunidade fechada e rígida. Qualquer um pode e deve formar grupos ministeriais livres.

 

·       Formação. Para formar um grupo de ministério é preciso descobrir diversas pessoas que têm a mesma vocação ministerial. Por exemplo: par formar um grupo de música é preciso descobrir instrumentistas, cantores, arranjadores, compositores, etc.

 

·       Moderador. Um grupo livre de ministério cristão é também uma igreja especial, pois é um conjunto de vários cristãos especializados numa área. Por isso, o grupo de ministério também poderá ter um moderador.

 

·       Confraternização. O grupo de ministério poderá fazer do próprio grupo um núcleo de confraternização entre os seus membros.

 

·       Preparação do grupo. Cada grupo tem a sua preparação própria. Cada um deve fazer cursos de especialização dentro da área em que vai atuar. 

 

·       Número de pessoas. Não existe um número determinado. Depende dos objetivos de cada grupo.

 

·       Multiplicação e divisão. O grupo ministerial é uma pequena igreja ou núcleo, mas ele não deve se multiplicar e nem se dividir, como os outros grupos de confraternização. É um grupo especializado em uma área, que deverá atuar em conjunto com os diversos núcleos de confraternização. O grupo de Paulo, por exemplo, atuou para ajudar as diversas comunidades cristãs espalhadas pelo mundo greco-romano.

 

·       Denominação. Alguns grupos ministeriais precisam ter um nome de identificação.

 

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Desc.: Música e teatro. Data: Julho/2012. Autor: Maralvestos. Licença CC BY-SA.  

 

·       Patrimônio. Dependendo da função, o grupo pode precisar adquiri algumas coisas. Grupos de música, por exemplo, precisam de aparelhos de som, instrumentos, etc.

 

·       Registro. Dependendo da função e do tamanho, o grupo talvez precise ser registrado como uma pessoa jurídica.

 

·       Confraternizações entre grupos. Nos encontros entre pequenas igrejas ou núcleos de confraternização, grupos de ministérios podem participar com as suas atividades, principalmente grupos de música e teatro.

 

·       Ganhar dinheiro. Alguns grupos talvez tenham que comercializar alguma coisa. Não é possível disponibilizar todas as coisas gratuitamente. Mas o lucro não deve ser o objetivo principal. Todos têm direito de ser remunerado pelos seus trabalhos, mas de forma justa, sem as mesmas explorações exorbitantes daqueles que querem enriquecer com a obra de Deus. Tudo deve ser praticado com moderação. Todavia é preciso deixar bem claro que ninguém precisa comprar isso ou aquilo para ser um cristão verdadeiro.

 

Essas são apenas algumas instruções básicas. Não são normas, mas conselhos. Não estou determinando nada e nem distribuindo funções para ninguém. Somente Cristo, o cabeça da igreja, pode fazer isso. Nenhum grupo ministerial precisa dar satisfações, nem para mim e nem para qualquer instituição religiosa chamada de igreja. Isso é compromisso de cada um com Deus. Todos devem agir de acordo com a sua fé e consciência. Lembrem-se que somente Cristo é o cabeça da igreja. Não sejam servos de nenhuma organização religiosa. Trabalhem em prol dos ideais cristãos. Juntos, usem o talento para pregar a mudança de vida, o amor ao próximo, a justiça, a esperança, a verdade, a liberdade. Condene tudo que é mal. Cada um, dentro da sua função, saberá onde encontrar mais informações para desenvolver um bom grupo ministerial. Estamos dando um pontapé inicial pra que equipes diversas entrem em campo e assim possamos desenvolver excelentes atividades cristãs, diferente de muitas coisas que se vêem por ai.

 

Autor: Maralvestos Tovesmar. Este texto (não site inteiro) está disponível nos termos da licença CC BY-NC-ND. Pode ser copiado e distribuído, informando o autor e o link seguinte, mas não pode ser modificado e nem comercializado. Data: 2013. Veja outras mensagens em http://livresdosfardosreligiosos.blogspot.com.br