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Confraternização (Parte II)

Continuação do post anterior.

 

Livres dos Fardos Religiosos.

 

Somos sacerdotes uns dos outros

 

Muitos grupos estão realizando reuniões nos lares hoje em dia, tentando resgatar a idéia da igreja primitiva. Mas infelizmente, muitos são apenas extensões da igreja litúrgica dos templos. Tudo que acontece no templo, muitas vezes acontece nas reuniões de alguns grupos nos lares. Dessa forma, as coisas não mudam muito. E as reuniões continuam enfadonhas. E assim, os lares, muitas vezes, acabam sendo lugares impróprios. Mas se seguirmos o modelo dos primeiros cristãos, criando núcleos de confraternização, em vez de meras extensões das igrejas templárias e institucionalizadas, tudo se tornará diferente.

 

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Descrição: Somos sacerdotes uns dos outros. Data: março/2013. Autor: Maralvestos. Licença CC BY-SA.

 

Conforme já vimos, hoje não dependemos de liturgias realizadas por sacerdotes nos templos. Nós somos a morada de Deus. Nosso corpo é o templo do Espírito de Deus. (1 Coríntios 3:16; 1 Coríntios 6:19; João 14:23; Efésios 2.20-22; 1 Pedro 2.5.) [1]. Jesus é o nosso eterno sumo sacerdote. (Hebreus 4.14-15 e 5.5-6.) [2]. E todos nós somos sacerdotes com ele. (I Pedro 2.5 e 9; Apocalipse 1.6 e 5.10.) [3]. Sendo assim, não existe mais um sacerdote ou um grupo de sacerdotes realizando liturgias para o povo em templos feitos por mãos humanas. Por quê?  Porque todos os que seguem o evangelho puro se tornaram sacerdotes atuando, não em um templo edificado por homens, mas com o seu próprio corpo que se tornou templo do Espírito Santo de Deus.

 

Alguém pode perguntar: então se todos somos sacerdotes, ninguém precisa de ninguém? Nada disso! Agora, com o evangelho puro de Cristo, devemos atuar como sacerdotes em prol uns dos outros. Mas não devemos, como os sacerdotes antigos, realizar rituais litúrgicos em nenhum templo. Nossa tarefa sacerdotal é outra bem diferente. Hoje, com o nosso corpo e a nossa mente, devemos atuar em prol do bem uns dos outros.

 

Se todos nós cristãos somos sacerdotes, o que todos nós devemos fazer nos núcleos de confraternização? É bem diferente do que ocorre nas igrejas templos. Vamos mergulhar nos ensinos de Cristo e dos apóstolos para ver como foi o projeto super maravilhoso da verdadeira igreja, que pode ser resgatado hoje. Você vai ver o evangelho e a igreja com outros olhos. Vai se encantar. Verá que essas coisas não foram exatamente ensinadas para povo nas instituições eclesiásticas.

 

Quando os cristãos se encontram nos núcleos de confraternização, eles devem: ajudar uns aos outros com bondade e solidariedade; edificar uns aos outros; encorajar e animar uns aos outros; exortar, aconselhar, admoestar, corrigir e ensinar uns aos outros; reconhecer os erros e perdoar uns aos outros; evitar as maledicências e as fofocas sobre uns aos outros. Vamos, então, ver quais são as nossas verdadeiras tarefas como sacerdotes da igreja livre dentro dos moldes do evangelho original, no Novo Testamento.

 

1.     Ajudar uns aos outros com bondade e solidariedade. Aqueles que não ajudam os outros não estão dentro do evangelho. Templos lotados fazendo um monte de coisas que Jesus não mandou, deixando de ajudar uns aos outros não têm sentido diante do evangelho puro. Por causa de coisas assim que ele disse: “Por que vocês me chamam “Senhor, Senhor” e não fazem o que eu digo?” (Lucas 6:46 , NTLH.) [4]. Se você realmente teve uma experiência viva com o evangelho de Cristo e não é um mero praticante de uma religião, então, sabe que alguma coisa está errada nas igrejas tradicionais. E as palavras de Jesus e dos apóstolos, citadas a seguir, vão mexer com a sua consciência.

 

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Descrição: Ajudar uns aos outros.Data: março/2013. Autor: Maralvestos. Licença CC BY-SA.

 

·       “Se eu, o Senhor e o Mestre, lavei os pés de vocês, então vocês devem lavar os pés uns dos outros.” (João 13:14, NTLH.) [5].

·       “Alegrem-se com os que se alegram e chorem com os que choram.” (Romanos 12.15, NTLH.) [6].

·       “Nós que somos fortes na fé devemos ajudar os fracos a carregarem as suas cargas e não devemos agradar a nós mesmos. Pelo contrário, cada um de nós deve agradar o seu irmão, para o bem dele, a fim de que ele cresça na fé.” (Romanos 15.1-2, NTLH.) [7].

·       “Porém vocês, irmãos, foram chamados para serem livres. Mas não deixem que essa liberdade se torne uma desculpa para permitir que a natureza humana domine vocês. Pelo contrário, que o amor faça com que vocês sirvam uns aos outros.” (Gálatas 5:13, NTLH.) [8].

·       “Ajudem uns aos outros e assim vocês estarão obedecendo à lei de Cristo.” (Gálatas 6.2, NTLH.) [9].

·       “Portanto, sempre que pudermos, devemos fazer o bem a todos, especialmente aos que fazem parte da nossa família na fé.” (Gálatas 6:10, NTLH.) [10].

·       “Ajudem os fracos na fé.” (1 Tessalonicenses 5:14c, NTLH.) [11]. 

·       “Tomem cuidado para que ninguém pague o mal com o mal. Pelo contrário, procurem em todas as ocasiões fazer o bem uns aos outros e também aos que não são irmãos na fé.” (1 Tessalonicenses 5:15, NTLH.) [12].

·       “Não deixem de fazer o bem e de ajudar uns aos outros, pois são esses os sacrifícios que agradam a Deus.” (Hebreus 13:16, NTLH.) [13].

·        “Façam oração uns pelos outros, para que vocês sejam curados. A oração de uma pessoa obediente a Deus tem muito poder.” (Tiago 5:16b, NTLH.) [14].

·       “Que todos prestem serviços uns aos outros com humildade.” (1 Pedro 5:5b, NTLH.) [15].

 

Num núcleo de confraternização, as pessoas estão mais próximas umas das outras, e sem rituais, torna-se possível saber das reais necessidades uns dos outros. E então poderemos ajudar com recursos materiais, com palavras de ânimo e de edificação, com oração, etc. Numa igreja grande, ocupada com sua liturgia, as pessoas não conseguem ver as necessidades uns dos outros. Mas no pequeno grupo, sem liturgias, isso se torna fácil. 

 

 

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Descrição: Edificar uns aos outros. Data: março/2013. Autor: Maralvestos. Licença CC BY-SA.

2.     Edificar uns aos outros. É nossa obrigação dizer e fazer coisas que sirvam para a edificação uns dos outros. É lamentável ver pessoas que se dizem cristãs fazendo um monte de coisas que não edificam uns aos outros. Nos templos, se encontram para realizarem rituais. No dia a dia, nos encontros casuais, falam mal uns dos outros, além de muitos outros assuntos não edificantes. Mas o que devemos fazer?

 

·       “Por isso procuremos sempre as coisas que trazem a paz e que nos ajudam a fortalecer uns aos outros na fé.” (Romanos 14:19, NTLH.) [16].

·       “Sejam bons administradores dos diferentes dons que receberam de Deus. Que cada um use o seu próprio dom para o bem dos outros!” (1 Pedro 4:10, NTLH.) [17].

 

3.     Encorajar (animar) uns aos outros. Encorajar e animar uns aos outros é outra tarefa importante e muito fácil em pequenos grupos. Muitas vezes, uma pessoa está desanimada, com problemas e não encontra uma palavra de ânimo e consolo.  Nos grandes templos, as pessoas não têm espaço para isso. Os rituais tomam todo o tempo. Mas, nos núcleos, podemos colocar em prática os seguintes conselhos:

 

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Descrição: Encorajar uns aos outros. Data: março/2013. Autor: Maralvestos. Licença CC BY-SA.

 

·       “Animem uns aos outros com salmos, hinos e canções espirituais. Cantem, de todo o coração, hinos e salmos ao Senhor.” (Efésios 5:19, NTLH.) [18].

·       “Portanto, animem uns aos outros com essas palavras.” (1 Tessalonicenses 4:18, NTLH.) [19]

·       “Portanto, animem e ajudem uns aos outros.” (1 Tessalonicenses 5:11, NTLH.) [20].

·       “Pelo contrário, enquanto esse ‘hoje’ de que falam as Escrituras Sagradas se aplicar a nós, animem uns aos outros, a fim de que nenhum de vocês se deixe enganar pelo pecado, nem endureça o seu coração.” (Hebreus 3:13, NTLH.) [21].

·       “Pelo contrário, animemos uns aos outros e ainda mais agora que vocês vêem que o dia está chegando.” (Hebreus 10:25b, NTLH.) [22].

·       “Dêem coragem aos tímidos.” (1 Tessalonicenses 5:14b, NTLH.) [23]. 

 

4.     Exortar, aconselhar, admoestar, corrigir e ensinar uns aos outros. Essas coisas essenciais sumiram do meio cristão. Muitos acham que tudo isso é tarefa apenas do padre ou do pastor. Mas não. Todos, na qualidade de sacerdotes, têm a obrigação de fazer essas coisas. É nessa hora que a humildade se torna necessário para que cada um possa aceitar ser exortado, aconselhado, admoestado, corrigido, ensinado.

 

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Descrição: Exortar, aconselhar, admoestar, corrigir e ensinar uns aos outros. Data: março/2013. Autor: Maralvestos. Licença CC BY-SA.

 

 

·       Se o seu irmão pecar contra você, vá e mostre-lhe o seu erro. Mas faça isso em particular, só entre vocês dois. Se essa pessoa ouvir o seu conselho, então você ganhou de volta o seu irmão.  Mas, se não ouvir, leve com você uma ou duas pessoas, para fazer o que mandam as Escrituras Sagradas. Elas dizem: ‘Qualquer acusação precisa ser confirmada pela palavra de pelo menos duas testemunhas.’ Mas, se a pessoa que pecou não ouvir essas pessoas, então conte tudo à igreja. E, se ela não ouvir a igreja, trate-a como um pagão ou como um cobrador de impostos.” (Mateus 18.15-17.) [24].

·       Meus irmãos, estou certo de que vocês estão cheios de bondade, sabem tudo o que é preciso saber e são capazes de dar conselhos uns aos outros. (Romanos 15.14, NTLH.) [25]

·       “Meus irmãos, se alguém for apanhado em alguma falta, vocês que são espirituais devem ajudar essa pessoa a se corrigir. Mas façam isso com humildade e tenham cuidado para que vocês não sejam tentados também.” (Gálatas 6:1, NTLH.) [26]

·       “Pedimos a vocês, irmãos, que aconselhem com firmeza os preguiçosos.” (1 Tessalonicenses 5:14a, NTLH.) [27]

·        “Que a mensagem de Cristo, com toda a sua riqueza, viva no coração de vocês! Ensinem e instruam uns aos outros com toda a sabedoria.” (Colossenses 3:16a, NTLH.) [28].

 

É claro que algumas pessoas poderão nos exortar, aconselhar, admoestar, corrigir e ensinar usando argumentos sem sentido. Mas não importa. A intenção é que importa, mesmo não estando certo. Então o que fazer? Paulo deixou seu conselho:

 

“Não atrapalhem a ação do Espírito Santo. Não desprezem as profecias. Examinem tudo, fiquem com o que é bom e evitem todo tipo de mal.” (1 Tessalonicenses 5.19-22, NTLH.) [29]. Então, ninguém precisa desprezar nenhuma pessoa nesse sentido. Devemos escutar a todos com humildade, ficar com o que é bom, e deixar de lado o que achar que está errado. Devemos fazer isso uns com outros sem autoritarismo. A decisão de aceitar ou não é de cada um.

 

Nas igrejas templárias, geralmente essas coisas são impossíveis para todos. Se alguém tentar corrigir ou aconselhar, poderá arrumar inimigos. A igreja templária foi ensinada a ouvir tudo do seu líder. Pensa que se reúne apenas para praticar rituais, ouvir o sermão do pastor ou do padre e desprezam, veemente, qualquer outro que se atreve a lhe exortar ou ensinar alguma coisa. Nos núcleos de confraternização da igreja primitiva, tudo isso era praticado. Por isso, a figura do presbítero naquela época não tinha tanto destaque como hoje. Os irmãos exortavam, aconselhavam, admoestavam, corrigiam e ensinavam uns aos outros. Por isso, Paulo dirigia suas cartas, não para os pastores, mas para a igreja em geral. Veremos isso depois noutra mensagem sobre pastores.

 

5.     Reconhecer os erros e perdoar uns aos outros. Aqui, a humildade torna-se necessária. Erros sempre vão acontecer. Para que o grupo possa permanecer unido e em paz, as pessoas precisam aprender a reconhecer seus erros e precisam perdoar uns aos outros pelas faltas cometidas.

 

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Descrição: Reconhecer os erros e perdoar uns aos outros. Data: março/2013. Autor: Maralvestos. Licença CC BY-SA.

 

·       “E, quando estiverem orando, perdoem os que os ofenderam, para que o Pai de vocês, que está no céu, perdoe as ofensas de vocês.” (Marcos 11:25, NTLH.) [30].

·       “Perdoem os outros, e Deus perdoará vocês.” (Lucas 6.37b, NTLH.) [31].

·       “Portanto, confessem os seus pecados uns aos outros e façam oração uns pelos outros.” (Tiago 5:16a, NTLH.) [32].

·       “E perdoem uns aos outros, assim como Deus, por meio de Cristo, perdoou vocês.” (Efésios 4:32b, NTLH.) [33].

·       “Não fiquem irritados uns com os outros e perdoem uns aos outros, caso alguém tenha alguma queixa contra outra pessoa. Assim como o Senhor perdoou vocês, perdoem uns aos outros.” (Colossenses 3:13, NTLH.) [34]

·       “Tomem cuidado para que ninguém pague o mal com o mal.” (1 Tessalonicenses 5:15a, NTLH.) [35].

 

Infelizmente, muitas igrejas estão carregas de pessoas cheias de ressentimentos e ódio. O núcleo de confraternização precisa cuidar dessas coisas. O cristão não pode viver assim.

 

6.     Evitar as maledicências e as fofocas sobre uns aos outros. É triste ver cristãos se encontrado para falarem mal uns dos outros. As pessoas, fazendo fofocas e semeando conversas más sobre os outros, acabam perdendo o status de igreja. Isso jamais poderá ser obra de uma igreja, principalmente nos núcleos.

 

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Descrição: Evitar as maledicências e as fofocas sobre uns aos outros. Data: março/2013. Autor: Maralvestos. Licença CC BY-SA.

 

·       “Por isso paremos de criticar uns aos outros. Pelo contrário, cada um de vocês resolva não fazer nada que leve o seu irmão a tropeçar ou cair em pecado.” (Romanos 14:13, NTLH.) [36].

·       “Mas, agora, despojai-vos também de tudo: da ira, da cólera, da malícia, da maledicência, das palavras torpes da vossa boca.” (Colossenses 3:8, NTLH.) [37]. 

·       “Despojando-vos, portanto, de toda maldade e dolo, de hipocrisias e invejas e de toda sorte de maledicências.” (1 Pedro 2:1, NTLH.) [38].

·       “Mas agora livrem-se de tudo isto: da raiva, da paixão e dos sentimentos de ódio. E que não saia da boca de vocês nenhum insulto e nenhuma conversa indecente.” (Colossenses 3.8, NTLH.) [39].

·       “Meus irmãos, não falem mal uns dos outros. Quem fala mal do seu irmão em Cristo ou o julga está falando mal da lei e julgando-a.” (Tiago 4:11a, NTLH.) [40].

 

Resumindo

 

Quando as pessoas se encontram num núcleo de confraternização, o que deve acontecer? A tendência é seguir a tradição do tipo: louvor, oração, sermão, oração. Pare, pare! Isso precisa ser mudado. Não estou dizendo que essas coisas são erradas, mas é preciso resgatar o que é mais importante. Sendo assim, então como fica?

 

1.     As pessoas se encontram no núcleo;

 

2.     O moderador deve incentivar as pessoas a conversarem umas com as outras. Nessas conversas, é claro, ninguém vai falar mal dos outros, não vai falar de futebol, de novela, política, nada disso. Vão procurar saber como o outro está passando, se está tendo algum problema em casa, no trabalho, alguma enfermidade, alguma preocupação, dúvida, etc. Então vai procurar dar palavras de ânimo, consolo, vai orar, responder, se possível, as dúvidas, etc. Alguns problemas, com o consentimento da pessoa, deverão ser levados para outras pessoas ou para o grupo todo, não para ser uma novidade para ficar de boca em boca, mas para que outros possam ajudar. A ajuda poderá ser, dependendo do problema: oração, palavras de consolo, aconselhamento, coisas matérias, etc.

 

3.     O moderador deve também dizer para aqueles que têm algum ressentimento ou rancor de alguém que procure o outro para se reconciliarem.

 

4.     O moderador também poderá dizer para aconselhar e corrigir uns aos outros. Olha como é bom. Em vez de ficar fofocando, quem sabe do erro do outro, deve procurá-lo e exortá-lo com carinho, humildade e bons modos. Ficar falando por trás não ajuda em nada. Pelo contrário, denegri ainda mais quem praticou o erro e faz você e outros errarem também com o pecado da maledicência. Se não puder dar conselhos, então fique calado.

 

5.     O moderador poderá ainda pedir que quem puder procure responder as dúvidas uns dos outros.

 

6.     O moderador ou alguma outra pessoa que tenha talento poderá, sem tomar muito tempo, evitando longos sermões, transmitir uma mensagem para todos. Deve ser uma mensagem sobre amor, humildade, tolerância, verdade, paz, atenção, união do grupo e coisas semelhantes, evitando entrar em detalhes sobre doutrinas complicadas, que geralmente trazem confusão, discórdias e divisões. Assuntos assim até poderão ser tratados, mas com muito bom senso, não permitindo que divergências estraguem tudo, como aconteceu com a igreja, principalmente a partir do século III, acabando com esse modelo de cristianismo puro e simples. Já disse que as nossas mensagens estão disponíveis gratuitamente para ajudar as pessoas nesse sentido.

 

 

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Descrição: Cena de uma reunião da igreja primitiva. Data: 1984. Autor: Jim Padgett. Fonte. Licença CC BY-SA. 

7.      Para que o grupo se torne desinibido, o moderador pode dar oportunidade para qualquer um desenvolver alguma dinâmica de grupo. É claro que o moderador deverá saber como ela será desenvolvida para que não aconteçam dinâmicas impróprias.

 

8.     Algumas reuniões poderão ser um banquete como as festas do Ágape da igreja primitiva. O moderador marca o dia e o lugar mais apropriado. Não precisa ser um banquete caro, super incrementado. O importante é o clima de descontração e confraternização. Pede que cada um leve o que puder. As irmãs saberão cuidar disso melhor. Nesse banquete, não poderão faltar o pão e o vinho, para poderem, através deles, se lembrarem da obra de Jesus. (Mais detalhes sobre a ceia serão mostrados noutra mensagem separada.) O moderador deverá cuidar para que esses banquetes não virem a mesma confusão registrada na igreja dos coríntios. (1 Coríntios 11.20-34.) [41]

 

9.     Nos encontros diversos, o moderador poderá também dar oportunidades para as pessoas apresentarem alguma coisa para todo o grupo como: uma música, um ensino, uma revelação, uma mensagem em línguas estranhas, caso seja possível alguém interpretar a língua estranha, uma exortação para todos, etc. Mas tudo deve ser feito com ordem, para que não vire aquela confusão muito comum nos meios pentecostais. Muitas pessoas apenas profetizam e falam línguas no meio da confusão. Quem realmente possui o dom de Deus exerce seus dons independente de emocionalismos. Para isso, é bom seguir esse conselho de Paulo:

 

“Portanto, meus irmãos, o que é que deve ser feito? Quando vocês se reúnem na igreja, um irmão tem um hino para cantar; outro, alguma coisa para ensinar; outro, uma revelação de Deus; outro, uma mensagem em línguas estranhas; e ainda outro, a interpretação dessa mensagem. Que tudo seja feito para o crescimento espiritual da igreja. Se algum de vocês falar em línguas estranhas, então que apenas dois ou três falem, um depois do outro, e que alguém interprete o que está sendo dito. Mas, se não houver ninguém que possa interpretar, então fiquem calados e falem somente consigo mesmos e com Deus. No caso de dois ou três receberem a mensagem de Deus, estes devem falar, e os outros que pensem bem no que eles estão dizendo. Se outra pessoa que estiver ali sentada receber a mensagem de Deus, quem estiver falando deve se calar. Vocês todos podem anunciar a mensagem de Deus, um de cada vez, para que todos aprendam e fiquem animados. Quem fala deve controlar o dom de anunciar a mensagem de Deus, pois Deus não quer que nós vivamos em desordem e sim em paz. Como em todas as igrejas do povo de Deus.” (I Coríntios 14.27-33a, NTLH.) [42].

 

O moderador, como pôde observar, não faz muita coisa. Apenas ajuda a criar o ambiente propício para a participação de todos. As atividades são realizadas por todos, cada um com seu dom, afinal todos somos sacerdotes uns dos outros. Por isso ele não é nenhuma pessoa especial, acima dos outros.

 

Alguém já deve estar pensando: “E o pastor ou presbítero ou bispo?” Até agora não vi nada sobre isso. Calma! Numa mensagem à parte, trataremos desse assunto polêmico e delicado.

 

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Desc.: Confraternizações entre outros núcleos. Data: Julho/2012. Autor: Maralvestos. Licença CC BY-SA.  

 

Confraternizações entre outros grupos. As pequenas igrejas (os núcleos) não precisam e não devem viver isoladas. Elas podem se unir e realizar grandes eventos, incluindo grandes campanhas de solidariedade, eventos artísticos que possam transmitir ensinos edificantes, esportes, etc., tudo dentro do espírito de solidariedade. Através da união, grandes obras poderão ser realizadas. Muitas coisas não podem ser feitas pela pequena igreja em um núcleo, mas podem ser executadas por várias pequenas igrejas unidas. Por isso, é importante o intercâmbio entre os diversos grupos. Unindo forças, recursos e talentos uns dos outros, faremos grandes obras em prol do reino de Deus.

 

Observe cada detalhe e veja se em uma igreja templária é assim. Diferente dos templos, nos núcleos de confraternização da igreja primitiva, não havia liturgias ritualísticas, havia, no lugar, muita comunhão, seguindo o que acabou de ver. Essa é a nossa tarefa como sacerdotes. Nós podemos resgatar tudo isso.

 

Eu não culpo as pessoas que frequentam os templos por não praticarem essas coisas. A culpa não é delas. A culpa é do sistema religioso criado no correr dos séculos, se desviando do projeto inicial e se transformando numa tradição difícil, mas não impossível, de ser superada. Eu não estou dizendo que nas igrejas templárias e institucionalizadas não existe nada disso. Estou dizendo que essas coisas não são prioridades.

 

Continuaremos no próximo post.

 

Autor: Maralvestos Tovesmar. Este texto (não o site inteiro) está disponível nos termos da licença CC BY-NC-ND. Pode ser copiado e distribuído, informando o autor e o link seguinte, mas não pode ser modificado e nem comercializado. Data: 2013. Veja outras mensagens em http://livresdosfardosreligiosos.blogspot.com.br