Crenças verdadeiras

Livres dos Fardos Religiosos

 

O nosso mundo está carregado de milhares de crenças. Todo mundo acredita em alguma coisa. Até o ateu tem suas crenças. Esse, por exemplo, acredita na inexistência de Deus.

 

Crença é o ato ou efeito de crer; ter por certo; admitir como verdadeiro; acreditar. [1]. Também significa fé.

 

Observando o espaço através de um telescópio, torna-se impossível não acreditar que existe uma força super poderosa comandando o Universo. Dentro de nós, alguma coisa diz que há um poder sobrenatural controlando todas as coisas. Não temos como descrever esse Poder Supremo com todos os detalhes, mas podemos dizer, observando a imagem do Universo, que é real.

 

 

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Descrição: Galáxia espiral NGC 3521. Data: 07 de outubro de 2011. Autor: R. Jay GaBany. Fonte.  Licença CC BY-SA.

 

Embora as pessoas considerem todas as suas crenças como verdadeiras, na realidade, nem tudo é verdade. Muitas crenças são absurdas (contrárias à razão) e ridículas e podem ser classificadas como crenças falsas ou crendices e superstições.

 

Boa parte das crenças das religiões surgiu, segundo a fé de cada um, por intermédio dos deuses ou de Deus ou por meio de espíritos ou anjos. Mas podemos dizer que muitas, na verdade, surgiram a partir de delírios, impressões, medos, êxtases, alucinações, sonhos, fantasias e ilusões. A ciência pode dar explicações sobre todos esses estados muito comuns nos seres humanos. Mas ainda há, além de tudo isso, alguns fenômenos estranhos que a ciência não pode explicar. São experiências pessoais vividas por algumas pessoas, que não podemos provar que foram verdadeiras ou falsas, por serem coisas muito subjetivas.

 

Muitas crenças foram adaptadas ou alteradas de acordo com os pensamentos filosóficos e com as descobertas científicas. Algumas são imitações de outras, e várias delas se fundiram com outras. Por outro lado, elas também sofreram muitas alterações por causa dos erros de transmissões, erros de traduções, de interpretações e de descrições. Muitas se tornaram populares e caíram nas tradições dos povos. Mas também muitas se perderam no tempo.

 

Os diversos povos desenvolveram uma série de relatos sobre o mundo espiritual. Declararam a existência de um ambiente invisível cheio de seres sobrenaturais; criaram deuses e semideuses, criaturas fabulosas e heróis; descreveram lugares paradisíacos e funestos; contaram as façanhas dos deuses; falaram de vários acontecimentos extraordinários e explicaram o porquê de tantas coisas. Porém, tudo está no campo da fé.

 

·       Os mesopotâmicos (sumérios, acádios, caldeus, etc.) tinham por certo que existiam grupos de demônios que espalhavam doenças contagiosas como lepra e malária, que havia outros que causavam catástrofes na natureza como vendavais e maremotos, e ainda outros que provocavam maus comportamentos nas pessoas causando ódio, raiva e outros defeitos, além de outros problemas como epilepsia. Admitiam também a existência de um demônio maior causador da morte, que era representado por uma serpente. [2].

 

·       Os gregos acreditavam que existia um reino nas profundezas da terra, para onde iam os mortos. [3]. Também criam na existência de divindades menores ou espíritos, chamados de ninfas, que viviam em fontes, bosques, rios, mares, etc. [4].

 

·       Os hebreus conservaram a crença que Jacó lutara com um anjo e que Jeová lhes dera a terra de Canaã. [5].

 

·       Os egípcios tinham por certo que o corpo do defunto devia ser embalsamado para que fosse preservado e assim permitir a sobrevivência da alma. [6].

 

·       Os romanos admitiam que o fogo fosse controlado pelo deus Vulcano; que os deuses Lares protegiam os campos e as casas; o deus Saturno, a semeadura; o deus Ceres, o crescimento dos cereais; Pomona, os frutos; as divindades Consus e Ops, as colheitas; e Júpiter, o deus do céu para eles, mandava a chuva com raios e trovões. [7].

 

·       Os cristãos crêem na existência de um paraíso, também denominado de céu, para onde vão as almas dos justos após a morte. [8].

 

A fé pode ser uma virtude essencial para o ser humano. Por que eu disse que pode ser essencial, em vez de dizer que é essencial? Disse isso porque nem sempre a fé das pessoas é algo correto e verdadeiro. Muitas crenças podem ser absurdas (contrária à razão, sem lógica) como:

 

·       Acreditar que um gato preto pode nos causar malefícios.

·       Crer que há deuses com aparência de animais como os antigos egípcios. [9], [10].

·       Admitir que alguém tenha matado algum monstro mitológico como Hidra, um monstro com corpo de dragão, sete ou nove cabeças e hálito venenoso, derrotado por Hércules. [11].

·       Acreditar que alguma divindade deu ordens para alguém cometer qualquer ato sujo como, por exemplo, cometer assassinatos, guerras, etc. Isso aconteceu com os hebreus e outros povos antigos e ainda é motivo de muitas polêmicas.

 

Através do bom senso, conseguimos separar as crenças verdadeiras das falsas. Aquelas que são prejudiciais, contrárias à razão ou absurdas podem ser classificadas como crendices. Outras, mesmo tendo origem misteriosa, são racionais e causam bem-estar para a humanidade e podem ser consideradas boas. Veja alguns exemplos:

 

·       Acreditar que existe uma força superior controlando tudo;

·       Ter fé que essa força seja Deus, que está em toda parte e que sabe tudo;

·       Crer que ele pode nos ajudar, nos proteger, nos orientar, etc.

 

Na Bíblia, na língua portuguesa, na versão revista e Corrigida, no Novo Testamento, a crença verdadeira é pregada constantemente por Jesus e pelos apóstolos. Observe, no quadro, as palavras usadas nesse sentido e quantas vezes elas são citadas.

 

Palavras

Nº de ocorrências

Crer

14

Crê

29

Creiam

2

Crêem

15

Crerem

1

Creia

3

Creiais

5

232

Total

301

 

Mas não pense que eles falaram de qualquer fé ou crença. Eles pregaram uma fé sobre coisas verdadeiras e no Deus verdadeiro. Entretanto, ao longo da história, a igreja mergulhou num precipício de crendices. Hoje, boa parte das crenças vividas pelas igrejas não são autênticas e não têm nada a ver com o evangelho puro de Jesus.

 

É inútil discutir a veracidade de certas crenças. Na área espiritual, todos se julgam certos naquilo que acreditam e todos podem estar errados em algumas coisas. A fé é um bolo invisível, recheado de mistérios. Nem sempre conseguimos provar que muitas coisas são verdades ou que são mentiras. Por exemplo: Se uma pessoa diz que Deus lhe entregou uma mensagem, ela não pode provar que está dizendo a verdade, e nós não podemos provar que é mentira, a menos que usemos de um argumento baseado apenas na nossa fé. Assim teremos a nossa fé contra a fé da outra pessoa, criando uma contenda religiosa.

 

Todos nós temos liberdade de crença. Mas não podemos abusar dessa liberdade para sair criando e espalhando a fé religiosa de qualquer maneira. Não podemos criar ou divulgar crenças absurdas para prejudicar a humanidade e o meio ambiente. Podemos expor a nossa fé, mas temos que fazer isso com responsabilidade, sem injuriar a fé dos outros.

 

O nosso objetivo é apresentar, para todas as pessoas, as crenças baseadas no puro evangelho, sem as crenças místicas e estranhas enraizadas nas tradições dos povos.

 

Autor: Maralvestos Tovesmar. Este texto está disponível nos termos da licença CC BY-NC-ND. Pode ser copiado e distribuído, informando o autor e o link seguinte, mas não pode ser modificado e nem comercializado. Data: 2013. Veja outras mensagens em http://livresdosfardosreligiosos.blogspot.com.br