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Terceiro período religioso

Do século I ao século X

 

Continuação do post anterior.

 

Livres dos Fardos Religiosos

 

Até então, tradicionalmente, a humanidade estava embaraçada num monte de elementos religiosos sem sentido. Nesse período, no meio desse emaranhado religioso, surgiu Jesus com a mensagem do reino de Deus, que não é um estado teocrático, como muitos reinos da Antiguidade, nem um sistema religioso para dominar pessoas, mas um novo estilo de vida. Trata-se de uma proposta diferente nos mostrando como podemos ter uma religião de maneira simples e descomplicada, livre de crendices, fantasias, ilusões, mitos, tradições, fanatismos, formalidades, pompas e rituais complicados. Repetindo, ele não fundou um estado teocrático e nenhuma organização religiosa. Ele apenas disse para as pessoas deixarem os seus erros, mudarem de vida, praticarem a fé, o amor, a justiça, a bondade, a paz e outras virtudes e deixarem de lado tudo que é mal e que possa causar danos. Simplesmente propôs uma nova maneira de viver em liberdade com Deus. É simplesmente isso que ele andou anunciando. [1]. Mas não é exatamente o que muitos têm feito e ensinado.

 

Ele veio para acabar com a visão distorcida sobre Deus. Por isso, ele nos apresentou Deus com uma visão bem diferente da visão do Velho Testamento. Para os antigos israelitas, Jeová era um Deus irado, vingativo, amante da guerra, sanguinário, que gostava de carne queimada e sangue derramado. Era um Deus que fazia acepção de pessoas, concordava com a escravização de pessoas, morte de inocentes, saques dos bens dos outros povos e outras maluquices. Coisas assim você encontra nas páginas do Velho Testamento, usando o nome de Deus. Para Jesus Deus é Pai bondoso que perdoa, quer justiça, amor, bondade, solidariedade, fé, paz, respeito ao próximo, tratamento igual para todos... A diferença é tão grande que alguns, como Marcião de Sínope, pensaram e pensam que o Deus do Antigo Testamento é outro. [2]. Na verdade só há um Deus, mas as visões sobre o único Deus são variadas. Algumas visões, como as dos antigos israelitas, são absurdas. Por isso, quem vive correndo atrás de doutrinas fundamentada nos velhos odres do Velho Testamento acaba perdendo o verdadeiro evangelho de Jesus de vista. E é isso que tem acontecido com muitos.  

 

 

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Imagem: Evangelho. Data: Agosto/2012. Autor: Maralvestos. Licença CC BY-SA.

A mensagem desse homem misterioso ficou conhecida como evangelho que, na língua grega, significa uma boa nova ou uma notícia ou mensagem nova, que surgiu como uma nova luz para o mundo. [3].

 

Até mesmo muitos que se dizem cristãos ainda não descobriram a verdadeira proposta de Jesus. Muitos pregadores não entenderam o que Jesus ensinou e não sabem como guiar as pessoas no verdadeiro caminho cristão.

 

Ele se apresentou como uma pessoa modesta. Apesar de ser chamado de Filho de Deus, [4] ele foi uma pessoa tão simples, que nem mesmo os grandes historiadores falaram muito a seu respeito. Flávio Josefo, um historiador judeu da sua época, por exemplo, cita o seu nome numa pequena passagem, mas não o coloca como uma celebridade. [5]. O historiador romano Públio Cornélio Tácito o cita sem nenhum destaque especial. [6].

 

Para alguns, ele é o Filho de Deus e, complicadamente, o próprio Deus encarnado. Para outros, um profeta, ou um moralista, ou um revolucionário. Independente de qualquer definição, ele mostrou o caminho da verdadeira liberdade para todos. O importante não é ficar brigando, como tem acontecido na história, tentando explicar a natureza misteriosa dessa pessoa. O que importa é a sua simples e clara mensagem que muita gente tem deixado de lado.

 

Ele ensinou como podemos sair da escuridão da vida e entrar no caminho da luz, onde podemos ficar ligados na energia divina e ter segurança, coragem, esperança, paz, harmonia, libertação, alívio, descanso e vida eterna. Mostrou para nós um novo viver no reino de Deus ­­­­­­–– um reino espiritual de fé, amor, bondade, misericórdia, mansidão, respeito, perdão, justiça, humildade, perfeição. Ele condenou a discriminação, a dominação, a falsidade, a exploração, a avareza, a cobiça, a hipocrisia, as guerras... Mostrou como podemos nos aproximar de Deus e como podemos viver de maneira simples e sem complicações, livre de muitos embaraços religiosos. Seu evangelho, ao contrário do que muitos imaginam e ensinam, não é uma organização religiosa com sacrifícios, sacerdotes, templos, rituais e tantas outras coisas, mas uma nova vida totalmente liberta. Ele nos mostrou que precisamos agradar ao único Deus com atitudes corretas e não com meras práticas religiosas; que temos que confiar em Deus e acreditar nos seus ensinos; que precisamos testemunhar dele com coragem e sem empecilhos; que temos que anunciar essas coisas para os outros. É uma mensagem para todas as pessoas de todas as nações, independente da idade, classe social, etnia, religião, ideologia, partido, grau de escolaridade, profissão, sexo, estado civil e residência. A sua mensagem é uma boa notícia para toda a humanidade cansada de suas religiões sobrecarregadas de elementos religiosos sem sentido. Ele disse:

 

 

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Descrição: Fardo carregado de preceitos, dogmas, mentiras, rituais e exploração. Data: janeiro/2013. Autor: Maralvestos. Licença CC BY-SA.

 “Venham a mim, todos vocês que estão cansados de carregar as suas pesadas cargas, e eu lhes darei descanso. Sejam meus seguidores e aprendam comigo porque sou bondoso e tenho um coração humilde; e vocês encontrarão descanso. Os deveres que eu exijo de vocês são fáceis, e a carga que eu ponho sobre vocês é leve.” [7]. “Se vocês continuarem a obedecer aos meus ensinamentos, serão, de fato, meus discípulos e conhecerão a verdade, e a verdade os libertará.” [8].

 

Você certamente gostou dessas palavras. Mas quando resolve segui-lo em muitas igrejas, fica obrigado a carregar fardos carregados de crendices, preceitos, dogmas, mentiras e rituais difíceis, além de ser duramente explorado. Muitos estão falando de Jesus, mas estão colocando pesadas cargas sobre as pessoas. É por isso que muitos estão cansados nos bancos das igrejas e catedrais. Vêem a luz brilhante e agradável das mensagens de Jesus, mas não conseguem chegar lá. Estão embaraçados, sobrecarregados, desanimados...

 

É preciso jogar fora todo esse duro fardo de tradições religiosas que ele jamais colocou sobre as pessoas. Muitos têm medo de fazer isso, e eu não posso culpá-los, pois são ameaçados com um monte de doutrinas preparadas para manter cada um no duro caminho. Mas quem quiser pode seguir o verdadeiro evangelho pregado pelo homem simples da Galiléia. E mostraremos como isso é possível sem nenhuma exploração. Talvez você nunca imaginou o que vai encontrar pela frente, a partir de agora. Pouco a pouco, você vai ter coragem da lançar fora tudo que está sendo pesado em seu fardo religioso, depois de entender que muitas coisas não têm nada a ver com o verdadeiro e original evangelho do reino de Deus.

 

Ainda a partir do século I, diversos grupos religiosos, usando o nome de Jesus, foram se formando. Mas o verdadeiro evangelho foi se perdendo no tempo.

 

Vamos tentar colocar os nomes dos principais grupos desse período, no meio cristão, além de outras religiões não ligadas ao cristianismo, que estão coloridas de roxo nas tabelas. É nesse período que surge o islã, e as suas principais subdivisões: sunitas, xiitas, alevitas, ibadistas e azraquitas. No velho budismo, surge o lamaísmo.

 

Observe, no mapa, onde se desenvolveram os principais grupos religiosos dessa época.

 

 

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1.     Evangelho do Reino de Deus

2.      Hermetismo

3.      Budismo mahayana

4.     Igreja Católica (catolicismo)

5.      Ebionismo

6.      Gnosticismo

7.     Nicolaítas

8.      Simonianismo

9.      Ofitismo

10. Montanismo

11.   Marcionismo

12.   Valentianismo

13. Maniqueísmo

14.   Novacianismo

15.   Arianismo

16. Donatismo

17.   Priscilianismo

18.   Macedonianismo

19. Apolinarismo

20.   Nestorianismo

21.   Igrejas não calcedonianas

22. Monofisismo ou Eutiquianismo

23.   Paulicianismo

24.   Islã

25. Xiitas

26.   Sunitas

27.   Alevismo

28. Ibadismo

29.   Azraquitas

30.   Budismo Lamaísmo

31. Judaísmo Caraíta

32.   Bogomilos

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Imagem: Religiões do terceiro período. Data: Novembro/2012. Autor: Maralvestos. Derivada da obra de STyx. Licença domínio público.

 

Grupos religiosos do terceiro período.

 

Época

Local

Idealizador (es)

Denominação religiosa

Século I

Palestina

­Jesus

Evangelho do Reino de Deus

Século I

Egito

?

Hermetismo [9].

”?

Sul da Índia

?

Budismo Maaiana ou mahayana [10].

Antioquia?

Pais da Igreja

Igreja Católica (catolicismo) [11].

Palestina

?

Ebionismo [12].

Turquia?

?

Gnosticismo [13].

?

Diácono Nicolau?

Nicolaítas [14].

Samaria?

Simão Mago?

Simonianismo [15].

Ofitismo [16].

Séc. II

Turquia

Profeta Montano

Montanismo [17].

Roma

Religioso Marcião de Sinope

Marcionismo [18].

Roma?

Valentino

Valentianismo [19].

Séc. III

Pérsia

Profeta Mani (Manes, Maniqueu)

Maniqueísmo [20].

Roma

Bispo Novaciano

Novacianismo [21].

Séc. IV

Egito

Presbítero Ário

Arianismo [22].

Cartago, África

Bispo Donato

Donatismo [23].

Ávila, Península Ibérica

Bispo Prisciliano

Priscilianismo [24].

Bizâncio (Constantinopla)

Patriarca Macedônio I

Macedonianismo [25].

Laodicéia

Bispo Apolinário

Apolinarismo [26].

Séc. V, 431

A partir das controvérsias do Concílio de Éfeso, na costa oeste da Ásia Menor.

Patriarca Nestório

Igreja Nestoriana (nestorianismo) [27].

451

A partir das controvérsias do Concílio de Calcedôna, Ásia Menor

Patriarcas de Alexandria, Antioquia e Jerusalém, entre outros, que recusaram-se a aceitar a doutrina das "duas naturezas de Cristo",

Igrejas não calcedonianas [28].

Séc. V

Bizâncio (Constantinopla)

Monge Eutiques

Monofisismo ou Eutiquianismo [29].

Séc. VII

Armênia?

Bispo Constantino?

Paulicianismo [30].

Séc. VII

Meca (A. Saudita)

Maomé (Moammed)

Islã [31].

Arábia Saudita

?

Xiitas [32].

Arábia Saudita

Califa Abu Bakr

Sunitas [33].

Arábia Saudita

Ali ibn Abi Talib

Alevismo [34].

Omã

Abdullah ibn Ibadh at-Tamimi e Jabir ibn Zaid al-Azdi de Nizwa

Ibadismo [35].

Sul do atual Iraque

Nâfi’b Al-Azraq

Azraquitas [36].

Séc. VIII

Tibet

Padmasambhava

Budismo Vajrayana ou Lamaísmo [37]

?

Anan ben David

Judaísmo Caraíta [38], [39], [40]

Séc. X

Bálcãs

Sacerdote Bogomil

Bogomilos [41].

Desc.: Tabela religiões do terceiro período. Data: Novembro/2012. Autor: Maralvestos. Livres dos Fardos Religiosos. Licença CC BY-SA.

Na cor roxa temos as religiões sem ligação com as tradições do cristiaismo.

 

Apesar do evangelho do reino de Deus ter sido proclamado, as pessoas continuaram mergulhadas num labirinto religioso super complicado.

 

Continuaremos no próximo post.

 

Autor: Maralvestos Tovesmar. Este texto está disponível nos termos da licença CC BY-NC-ND. Pode ser copiado e distribuído, informando o autor e o link seguinte, mas não pode ser modificado e nem comercializado. Data: 2013. Veja outras mensagens em http://livresdosfardosreligiosos.blogspot.com.br



[4] Marcos 1:1; Marcos 15:39, New King James Version

[5] Livro VIII, capítulo III. http://www.newadvent.org/cathen/08522a.htm

[6] http://carbonariaanarquista.wordpress.com/200

6/03/02/cristo-e-as-provas-tiradas-dos-historiadores/