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Medo religioso

Livres dos Fardos Religiosos

 

Numa noite gélida, certa pessoa estava num casebre, entre alguns arvoredos. Apagou a luz e deitou-se num colchão simples estendido no piso frio. Ficou ali, deitado, contemplando a escuridão...

 

 

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Descrição: Um brilho debaixo da porta. Data: janeiro/2013. Autor: Maralvestos. Licença CC BY-SA.

De repente, uma luz apareceu na fenda, debaixo da porta. Era um brilho estranho que parecia mover de um lado para o outro, parecendo coisa do além. Teve medo e pensou em se esconder, mas o quarto era pequeno demais. Também pensou em fugir, mas não podia, pois só havia aquela porta, e a única janela tinha grades. Arrepiado e suando, teve que se conter até que, finalmente, a verdade foi revelada: depois de passar sob a porta, caminhando suavemente, um vaga-lume apareceu. Que alívio!

 

Medo é um sentimento de grande inquietação diante da idéia de um perigo real ou imaginário. [1], [2]. Medo religioso é o medo relacionado com coisas religiosas. Há muitos tipos de medos doentios na área religiosa como, por exemplo: medo de fantasmas, barulhos ou vozes, monstros, escuridão, cemitérios, sepulturas, demônios, espelhos, gatos, números (666, 13), símbolos, coisas sagradas, divindades, visões, etc. [3].

 

O medo é natural e bom. Ter medo não é nenhum defeito. Todos nós o sentimos diante de certas situações que possam oferecer ameaças físicas e psicológicas. É um mecanismo natural de defesa que todos nós temos. Por causa dele, nos tornamos prudentes e evitamos situações perigosas. O excesso de coragem ou ausência de medo pode nos transformar em pessoas imprudentes e descuidadas. Pessoas sem medo acabam sofrendo graves consequências. [4], [5].

 

Por outro lado, se a pessoa não souber administrar o seu medo, ele pode se transformar em algo ruim. Muitos, diante de certas situações, sentem falta de ar, palpitações, desconforto no peito, sensação de sufocamento, ondas de calor ou de frio, formigamentos e vertigens; ficam arrepiadas, trêmulas e cheias de suor. Dessa forma, ficam embaraçadas e perdem o total controle da situação. Antes de ver a verdade, se escondem, fogem ou desmaiam. Perdem a razão, não conseguem raciocinar direito e acabam agindo de qualquer maneira. O medo dessa forma é chamado de pânico. [6], [7].

 

O medo de certas coisas pode também ficar enraizado na mente da pessoa, alterando a sua vida normal. Às vezes, a pessoa sente medo intenso, exagerado, irracional e incontrolável sem nenhum fundamento. Fica assustada diante de situações que não oferecem nenhum perigo. Nessas condições, o medo já pode ser considerado uma doença e pode ser chamado de fobia. [8], [9], [10].

 

Quem não consegue controlar o medo pode ver, sentir ou ouvir tudo distorcido. Coisas naturais e comuns podem ser vistas como coisas sobrenaturais e espantosas.

 

É fácil perceber que há muitos elementos religiosos (relatos, crenças, visões, etc.) fundamentados em coisas que são meros frutos do medo incontrolado. Muitas pessoas, apavoradas e sem condições para analisarem as coisas direito, acabam crendo que estão diante de coisas fora do comum e aterrorizantes. Depois, com toda ênfase, dizem para os outros que viram isso e aquilo. Assim nascem muitas crenças sem fundamento lógico.

 

Muitas visões e vozes que muitas pessoas afirmam terem visto ou ouvido geralmente estão relacionadas com momentos horrendos. Não quero dizer que todas os elementos religiosos sejam produtos do medo. Porém, muitas coisas absurdas geralmente surgiram em momentos de pânico, em lugares ermos, enigmáticos ou sombrios, onde o medo costuma ser mais forte. Geralmente, os fatos aterrorizantes acontecem à noite, quando a pessoa está com o medo à flor da pele.

 

Não devemos estabelecer elementos religiosos baseados em experiências tidas nos momentos de grande perturbação por causa da idéia de um perigo real ou imaginário. Também não podemos acreditar em tantas coisas extraordinárias espalhadas por ai. Há muitos elementos de caráter religioso baseados em histórias impregnadas de medo. Percebemos, em muitos relatos e crenças, muitos indícios de pavor. Com sensatez, procurando controlar esse distúrbio, precisamos rever nossos elementos religiosos. Muitos surgiram nesses momentos de pânico. Com calma, veremos que muitas coisas são outras bem diferentes.

 

Liberte-se do fardo do medo religioso.

 

Autor: Maralvestos Tovesmar. Este texto está disponível nos termos da licença CC BY-NC-ND. Pode ser copiado e distribuído, informando o autor e o link seguinte, mas não pode ser modificado e nem comercializado. Data: 2013. Veja outras mensagens em http://livresdosfardosreligiosos.blogspot.com.br